Call for papers: “1818-2018 – the silent revolution: of fears, folly & the female”

1818-2018 – the silent revolution: of fears, folly & the female

Universidade Católica Portuguesa, Lisbon

5 November 2018

I have gone out, a possessed witch,

haunting the black air, braver at night;

dreaming evil, I have done my hitch

over the plain houses, light by light:

lonely thing, twelve-fingered, out of mind.

A woman like that is not a woman, quite.

I have been her kind.

Anne Sextox



Image: Julia Margaret Cameron|Digital image courtesy of the Getty’s Open Content Program

In 2018 we celebrate events which took place two hundred years ago: the publication of Mary Shelley’s Frankenstein and the birth of Emily Brontë. While the two events are markedly different, as the former is a tangible work of art and the latter more of a promise of what was to come, both have contributed to challenge and change the conceptions and perceptions of the time, thus performing a silent, subtle revolution in the world of letters.

Shelley and Brontë are mostly famous for one novel each, but these novels have helped shape Western imagination and literature, as they arguably ‘disclose uncommon powers of poetic imagination’, as Walter Scott said a propos Shelley’s oeuvre [Blackwood’s Edinburgh Magazine 2 (March 1818)].

By focusing on characters who do not belong anywhere – ‘I am an unfortunate and deserted creature; I look around, and I have no relation or friend upon earth’ (Shelley, 2004: 160) and ‘Not a soul knew to whom it [Heathcliff] belonged’ (Brontë, 1965: 78) –, both novels seem to question the hegemonic discourse of the time. As such, their global appeal may precisely reside in their radical difference and ‘unbelonging’ (Rushdie, 2013), which, paradoxically, make them potential sites for multiple identifications – the female, the savage, the foreigner.

This conference brings the two female authors together, for their œuvres, as different as they are, may shed light on a topic that resonates nowadays – how gender impacts on authorship, imagination, and a sense of humanity. If, as Woolf claims, ‘women have served all these centuries as looking-glasses possessing the magic and delicious power of reflecting the figure of man as twice its natural size’ (Woolf, 2000: 45), is it entirely possible that women authors have resorted to the misshapen, dark, monstrous Other as alter egos of their own perception of themselves and their place in society?

The conference wishes to be a locus of celebration and discussion, both by placing the authors in the context of their time (coeval artists and ideas), and by displacing them and investigating their impact on literature and other media (music, cinema, videogames, etc.). By rereading the works critically in the context of a 200-hundred-year time lapse, the conference aims to look at the texts as clues ‘to how we live, how we have been living, how we have been led to imagine ourselves, how our language has trapped as well as liberated us, how the very act of naming has been till now a male prerogative, and how we can begin to see and name – and therefore live – afresh’ (Rich, 1979: 35).

Brontë, Emily (1965), Wuthering Heights, Harmondsworth: Penguin Books.

Rich, Adrienne (1979), ‘When We Dead Awaken: Writing as Re-Vision’, On Lies. Secrets, and Silence. Selected Prose 1966-1978, New York and London: W.W. Norton & Company, pp. 33-49.

Rushdie, Salman (2013), Joseph Anton, London: Vintage.

Shelley, Mary (2004), Frankenstein or The Modern Prometheus, London: Collector’s Library.

Woolf, Virginia (2000), A Room of One’s Own and Three Guineas, Oxford and New York: OUP.

Papers on the following topics are welcome:

  • Male privilege in literature: revising concepts of authority and authorship
  • Female gaze and the imagination
  • 19th-century language, gender and cultural filters
  • Concepts of human being, humanity, humanness and ‘technogenesis’
  • Displacement and replacement as male anxieties
  • 1st-person narration: giving voice and / or visibility to ghosts, monsters and waifs
  • The impact of Shelly and Brontë in English-speaking and world literature
  • Pseudonymity and power
  • The monster within: representations of (female) fear and folly in literature
  • ‘Savagery’ at the heart of Europe and the ideal of la mission civilisatrice
  • Siting contestation: literature on progress and knowledge
  • Is Gothic literature female?
  • Translating ‘strangeness’ into different languages and / or media
  • The afterlife of Frankenstein and Wuthering Heights in art and pop culture
  • Fandom and the Gothic experience


Keynote speakers:

Luísa Leal Faria (Universidade Católica Portuguesa)

Marie Mulvey-Roberts (University of the West of England – Bristol)

The conference languages are English and Portuguese. Speakers should prepare for a 20-minute presentation followed by questions. Please send a 250-word abstract, as well as a brief biographical note (100 words) to  by June 30.

Proposals should list the paper title, name, institutional affiliation, and contact details. Notification of abstract acceptance or rejection will take place by July 30.

Organising Committee:

Rita Faria

Carla Ganito

Alexandra Lopes

Scientific Committee:

Daniela Agostinho (Københavns Universitet)

Jorge Bastos da Silva (Universidade do Porto)

Rita Faria (Universidade Católica Portuguesa)

Cátia Ferreira (Universidade Católica Portuguesa)

João Ferreira Duarte (Universidade de Lisboa)

Luana Freitas (Universidade do Ceára)

Joyce Goggin (Universiteit van Amsterdam)

Angela Locatelli (Università degli Studi di Bergamo)

Rogério Miguel Puga (Universidade Nova de Lisboa)

Maria Sequeira Mendes (Universidade de Lisboa)


Early bird (by September 15):

Participants – 100€

Students (ID required) — 50€

After September 15 and no later than October 15:

Participants – 120€

Students (ID required) – 70€

The registration fee includes coffee breaks, lunch, as well as all conference documentation.


By bank transfer:

NIB 003300000017013412105

IBAN PT50 0033 0000 0017 0134 1210 5 SWIFT BCOMPTPL

By check made out to:

Universidade Católica Portuguesa

and sent to:

Centro de Estudos de Comunicação e Cultura

a/c Elisabete Carvalho

Universidade Católica Portuguesa

Faculdade de Ciências Humanas

Palma de Cima

1649-023 Lisboa Portugal

Please send payment notification (in case of online payment) or a copy of the bank transfer document to the above email.



4 Cs: curadoras escrevem sobre Aimée Zito Lema

A artista Aimée Zito Lema esteve um mês em residência artística em Lisboa, no âmbito do projecto 4Cs: From Conflict to Conviviality through Creativity and Culture, que reúne oito instituições artísticas e culturais, é coordenado pela Universidade Católica e cofinanciado pelo programa Europa Criativa da União Europeia.  Desta estadia de investigação em Lisboa resultará uma exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, em Maio/Junho. As curadoras do trabalho e investigadoras do CECC, Ana Cristina Cachola, Daniela Agostinho e Luísa Santos, escrevem na revista Contemporânea sobre a artista e a obra.

13 Shots: Imagem, latência, performatividade

O trabalho de Aimée Zito Lema (Amesterdão, 1982) tem vindo a incidir sobre a memória, o registo e a transmissão intergeracional de acontecimentos através da história material e do corpo humano. Informadas tanto conceptual quanto formalmente por estes discursos, as serigrafias que aqui se apresentam em forma de ensaio visual constituem parte da exposição individual 13 shots, a inaugurar no espaço projecto do Museu Gulbenkian em Junho deste ano, em que se ensaia uma posição crítica para com os processos que enformam a construção da memória.

O título do projecto artístico de Aimée Zito Lema, 13 Shots, é inspirado pelo conto “Mineirinho” de Clarice Lispector, que versa sobre um acontecimento que chocou a opinião pública brasileira em 1962, quando agentes policiais, transgredindo todos os quadros legais disponíveis, executaram um assassino, chamado Mineirinho, com 13 tiros. A escolha do título antecede o mais recente caso de violência policial no Brasil que custou a vida à vereadora do Rio Janeiro, Marielle Franco, socióloga feminista, negra e lésbica, crítica da actuação policial e militante dos direitos humanos. A memória recente deste caso de absoluta violência necropolítica assombra o título da exposição, que a artista tomou emprestado a Lispector para pensar sobre as imagens como dispositivos de violência. Explorando a dualidade semântica da palavra shot, que tanto pode significar tiro como plano de imagem, Zito Lema reflecte neste projecto sobre a violência muitas vezes contida nas e obliterada pelas imagens, e sobre a necessidade de aprofundar, complementar e subverter o plano da visualidade através da memória dos corpos, dos gestos, e das vozes. Afinal, as imagens exercem violência quer através do que representam, quer através do que ocultam. Por um lado, é (também) através das imagens que determinados corpos são considerados humanos e merecedores de protecção, ao passo que outros são considerados supérfluos, dispensáveis e sujeitos à violência e invisibilidade, como sugerem Judith Butler e mais recentemente Alexander G. Weheliye. [1] Por outro lado, por via da sua própria fenomenologia (inevitavelmente incapaz de veicular a corporeidade da vida, a não ser por via da evocação ou da ausência), as imagens muitas vezes obliteram a experiência material e a dimensão sensorial (isto é, a experiência sensorial que excede o sentido da visão) dos corpos que se relacionam tanto através do conflito como através da convivilidade.

Curadoria e texto: Ana Cachola, Daniela Agostinho, Luísa Santos

Excerto do texto publicado na íntegra em Contemporânea Ed 04/2018

Call for papers: Colóquio “Desavindos com a vidinha! Literatura e outras artes contemporâneas de Alexandre O’Neill”


Ilustração: André Carrilho


“Desavindos com a vidinha!”

Literatura e outras artes contemporâneas de Alexandre O’Neill

Universidade Católica Portuguesa / Biblioteca Nacional de Portugal

10 e 11 de dezembro de 2018

O poema “Rua André Breton” (Entre a Cortina e a Vidraça, 1972), de Alexandre O’Neill, pode ser lido como súmula perspicaz da história da literatura de uma parte significativa do século XX português. O’Neill convoca para o poema os dois movimentos literários que marcaram, de forma determinante e transgressora, o panorama nacional, a partir da década de 30 do século XX: o Neorrealismo (a que alude no verso “A imitação do isto, a gangazul, a variz da varina”) e o Surrealismo (vincando-se desde logo a dissidência e a mobilidade como marcas identitárias do movimento: “A rua André Breton está sempre a mudar de rua.”)

Tendo em conta a figura de Alexandre O’Neill e do lugar que este tem no panorama literário do século XX português, pretende-se que este colóquio abra a oportunidade de revisitar alargadamente os objetos, práticas e conceitos que, contemporâneos de O’Neill, formaram o espaço cultural português do segundo e terceiro quartéis do século passado, na literatura, nas artes visuais e performativas, no cinema, na música e na crítica.

A imagem de ‘pássaros de asas cortadas’ que Luiz Francisco Rebello aplicou à alta burguesia lisboeta, na sua peça de 1959, adaptada ao cinema por Artur Ramos, em 1963, com diálogos assinados por Alexandre O’Neill e Luís de Sttau Monteiro, poder-se-ia recuperar hoje como caracterização de uma geração de criadores “desavindos com a vidinha”, cerceados pelo meio sociopolítico e cultural em que intervinham.

Esta chamada para comunicações convida os investigadores a refletirem sobre a expressão artística e concetual da rede de escolhas estéticas, culturais e políticas vividas, em Portugal, ao longo dos anos de O’Neill.

Tópicos possíveis:

  • Representações culturais de Portugal no século XX;
  • Ideologia e arte;
  • Artes no pensamento e na crítica;
  • Unidades e dissidências nos diferentes “ismos”;
  • Receção das vanguardas artísticas internacionais;
  • Revistas culturais e imprensa generalista;
  • Lugares da tradução na evolução das artes em Portugal;
  • Indústrias culturais: emergência de novas linguagens.


Comissão organizadora:

Joana Meirim

Alexandra Lopes

Sónia Pereira

Miguel-Pedro Quadrio


Conferencistas convidados:

António M. Feijó | Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

João Paulo Queiroz | Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa

Perfecto Cuadrado | Universitat de les Illes Balears

Os participantes devem preparar uma comunicação para 20 minutos, seguida de uma discussão. Pede-se o envio de um resumo de 250 palavras acompanhado de uma pequena nota biográfica (100 palavras) para até 15 de junho de 2018. Cada proposta deve apresentar, de forma clara, o título da comunicação, o nome, a filiação institucional e o contacto. A notificação de aceitação ou rejeição do resumo ocorrerá até 15 de julho de 2018. Será publicada uma seleção das comunicações.

Inscrições: 60 €

Comissão Científica:

Nuno Amado | Universidade Católica Portuguesa

Ana Paula Coutinho | Universidade do Porto

Joana Meirim | Universidade Católica Portuguesa

Carlos Mendes de Sousa | Universidade do Minho

Miguel-Pedro Quadrio | Universidade Católica Portuguesa

Clara Rowland | Universidade Nova de Lisboa

Gustavo Rubim | Universidade Nova de Lisboa

Marta Teixeira Anacleto | Universidade de Coimbra

Jorge Vaz de Carvalho | Universidade Católica Portuguesa

Nota: Este colóquio é a última atividade de Lugares de O’Neill, projeto de investigação nos domínios da Língua e da Cultura Portuguesas, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.


Homenagem a Landeg White juntou colegas, família e amigos

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Realizou-se no dia 22 de março de 2018, na Sala de Atos do Palácio Ceia da Universidade Aberta (UAb), a sessão de homenagem a Landeg White, premiado tradutor da obra de Camões, professor universitário, poeta e investigador do CECC, que reuniu colegas, familiares e amigos.
A sessão foi aberta por Paulo Dias, Reitor da UAb, acompanhado por Peter Hanenberg, director do CECC, e Isabel Falé, Directora do Departamento de Humanidades da UA. Todos recordaram momentos marcantes da vida académica e intelectual de Landeg White. Isabel Falé sublinhou a sua “criatividade rara e versatilidade intelectual” e ainda o talento poético de Landeg White. A poesia como forma de investigação foi o tema da participação do investigador e autor no primeiro coffee break do CECC, momento lembrado por Peter Hanenberg que trouxe à conversa um dos aspectos da personalidade do homenageado, o humor, quando este afirmou, então, que Pessoa, Baudelaire ou Camões não teriam sido aceites como bolseiros da FCT. Sónia Pereira leu um poema que versava sobre a linguagem, em forma de recordação do momento passado no CECC. Paulo Dias lembrou que Landeg White foi o primeiro docente estrangeiro a defender uma tese de doutoramento naquela universidade, motivo de orgulho para a instituição, cujo Reitor destacou ainda a sua obra como tradutor e estudioso da literatura portuguesa e a capacidade de fazer do deslocamento, temporal, geográfico e cultural, um olhar enriquecedor.
Numa segunda mesa, reuniram-se os dois filhos de Landeg White, que fizeram leituras de poemas, na abertura e no fecho da conversa que reuniu colegas e amigos, entre os quais Gerald Bär, colega do CECC e amigo, Rui Zink, que se cruzou com Landeg White em iniciativas de escrita criativa e apresentou também o seu último romance, Margarida Vale de Gato, amiga e tradutora de alguns dos seus poemas, António Araújo, docente de Matemática que desenhou o seu retrato para o site e fã da sua literatura, e Jeff Childs, amigo e colega na UAb. Todos recordaram a inteligência, humor, tranquilidade, seriedade e talento de Landeg White. Desta conversa resultou a vontade expressa de traduzir a obra poética de Landeg White para português, dando continuidade à iniciativa de Margarida Vale de Gato, que já traduziu, individualmente e com alunos, alguns textos, lidos em inglês e português nesta sessão.
Seguiu-se a apresentação do livro Poetas que não Eram Camões/The Poets Who Weren´t Camões (Universidade Católica Editora), com a presença da editora, Anabela Antunes, que se congratulou com a publicação desta recolha de poemas de autores contemporâneos de Camões edição comentada e bilingue. O co-autor Hélio J.S.Alves, professor da Universidade de Évora, falou sobre o processo de realização do livro, em parceria com Landeg White, frisando a sua generosidade intelectual e o seu notável papel na divulgação da literatura portuguesa do século XVI. A apresentação do livro coube a Mário Avelar (texto a publicar neste blogue brevemente).

Exposição em Londres de Rita GT com curadoria de Ana Cristina Cachola


A investigadora e docente Ana Cristina Cachola é a curadora da primeira exposição individual de Rita GT, com o título School Next Door/Lesson N1/Learning in Golborn.

Rita GT vive entre Viana do Castelo, Londres e Luanda, e apresenta em Londres uma instalação e um conjunto de actividades expositivas, interventivas e colaborativas, em torno da história e narrativas actuais da emigração portuguesa em Londres Ocidental. A exposição, que inclui fotografia, cerâmica, trabalhos impressos e instalações de som, inaugura amanhã, dia 22 de Março, na 50 Golborn Gallery, e conta ainda com a colaboração do arquitecto Miguel Coutinho e vários carpinteiros de Viana do Castelo.

Quando o gesto artístico é gesto vernáculo

Ao vernáculo são intrínsecas as noções de nativo e doméstico, espontâneo e pertença,  necessário e partilhado.  Num momento em que o futuro e o especulativo ocupam lugares centrais no pensamento contemporâneo, Rita GT foca-se num presente vernáculo fundado em ideais de proximidade, (boa) vizinhança, urgência e premência no seu projecto a Escola ao Lado.  Esta escola e exposição itinerante da artista portuguesa apresenta-se por primeira vez em Londres com Learning with Golborne, uma lição que reflecte sobre e com a comunidade portuguesa migrante que habita esta zona londrina.   Os membros mais velhos desta comunidade saíram de Portugal no tempo da chamada guerra colonial de modo a não terem de participar na guerra ou para fugirem do regime ditatorial fascista conhecido como Estado Novo.

Este regime transformou Portugal num lugar onde era difícil viver. A sociedade hiper-conservadora era vigiada pela polícia política, os meios de comunicação censurados e os jovens portugueses obrigados a sair de Portugal para participarem na guerra. Ao mesmo tempo, a maior parte da população portuguesa adulta era analfabeta ou detinha níveis mínimos de escolaridade. A pouca população que tinha acesso à escola deparava-se com uma instituição cristalizada e completamente controlada pelo regime. Se hoje Portugal é já (também) um país de acolhimento de emigrantes, nas décadas de 1960/1970 via principalmente sair as suas populações em busca de melhores condições de vida. Dado o baixo nível de escolaridade dos portugueses, os homens trabalhavam maioritariamente na construção civil ou como operários pouco especializados; e as mulheres, que tinham ainda mais impedimentos no acesso à escola, dedicavam-se a trabalhos domésticos ou a limpezas em casas particulares ou na hotelaria.

Transversais ao trabalho de Rita GT são precisamente as questões (de discriminação) de género, que não deixam de  estar presentes na primeira lição da Escola ao Lado.  Na série de foto-performances que realizou em Golborne Road, a artista veste um macacão em que se pode ler “Mulher a dias”. “Mulher a dias” é uma expressão coloquial portuguesa que remete para a mulher que se encarrega dos serviços domésticos (umas vez que é sempre a mulher que se encarrega deste tipo de tarefas) nas casas particulares de terceiros e recebe um salário por hora ou dia de trabalho sem ter direito a qualquer tipo de contrato ou vínculo laboral.  Esta condição precária, agudizada pelo género, é tornada visível pela artista e feminista.

A instalação ou predisposição escolar na arte (contemporânea) não é nova nem original, mas não deixou ainda de ter importância no campo de uma produção artística eticamente orientada. Na Escola ao Lado, cada lição corresponderá a uma exposição-instalação diferente (esta foi desenhada pela artista com Miguel Dias Coutinho), preparada mediante processos distintos, tendo por base diálogos e aprendizagens da artista com as comunidades vizinhas à localização da escola itinerante. As várias valências da escola – performativa, expositiva, interventiva, recreativa –  serão resgatadas para uma estrutura horizontal de participação.

Sou um instrumento (poros sintomáticos), performance de Rita GT com o cantor e compositor nigeriano Keziah Jones, é exemplo disso. O título é em si ambíguo. Se, por um lado, sou um instrumento pode remeter para a instrumentalização dos sujeitos por parte de forças autoritárias (por exemplo), por outro, contém em si uma potência contra-discursiva, a capacidade que cada um tem de ser um instrumento subversivo. Nesta performance, tanto GT como Jones vestem roupa feita de colunas sonoras a partir das quais se projectam ao vivo composições textuais e musicais dos artista. Os pequenos furos que compõem as colunas remetem para os poros, cujas secreções não controlamos mas que são essenciais para o equilíbrio do corpo humano.

São muitas as vozes presentes nesta escola. Para além de um programa de conversas informais com Georges Shire e Yvette Greslé,, a obra Laringite – Vozes Invisíveis, desenvolvida em colaboração com João Gigante, guarda vozes e histórias dos emigrantes portugueses residentes em Golborne, com quem GT conversou durante a sua residência em Golborne. Muitas destas vozes são imperceptíveis, como se de línguas desconhecidas se tratassem, estas vozes abrigam-se dentro de laringes e traqueias cerâmicas.

É necessário repensar a escola, encontrar formatos alternativos e localizá-la e, ao mesmo tempo torna-la itinerante. Depois de Londres, a Escola ao lado seguirá para Viana do Castelo, de onde GT é natural, e para Luanda, onde a artista viveu entre 2012 e 2015, mantendo em palimpsesto as reflexões sobre migração. Com Rita GT sabemos que o gesto artístico é também vernáculo.

Ana Cristina Cachola

Março de 2018


VIII Graduate Conference in Culture Studies: call for papers


VIII Graduate Conference in Culture Studies

6–7 December 2018 | Universidade Católica Portuguesa – Lisbon

Call for Papers

We call for papers for the 8th Graduate Conference in Culture Studies. This edition will be on the theme of “Replacement and Replaceability in Contemporary Culture” and takes place in Lisbon on the 6th and 7th of December 2018. The conference is organized by The Lisbon Consortium in conjunction with the Research Centre for Communication and Culture at the Universidade Católica Portuguesa.

We aim to discuss the ways in which the concept of ‘replacement’ can be understood and productively used for the study of contemporary culture. Replacement has been one of the central concepts in the study of culture for quite some time, and, at the risk of overstating this claim, one could say that replacement is a concern in all fields of knowledge dealing with the study of culture today. It is, however, rarely the central focus in academic discussion and this event aims to contribute to a more detailed analysis of the uses, misuses, and usefulness of this particular concept for the study of cultural objects.

Hearing the words replacement and replaceability, one naturally wonders: Who or what is being replaced? Who is doing the replacing? What counts as replaceable? Is there a logic of replacement? What happens when bodies are deemed replaceable for other bodies? Or for machines? How does replacement communicate with other, related, concepts, such as translation, repetition, reiteration, quotation, citation, metaphor, metonymy, synechdoche, and displacement? And how does it acquire meaning in connection to other concepts like false-consciousness, workforce, precariousness, simulacrum, spectacle, and ideology? How can replacement or replaceability be made useful for the study of cultural objects? Which objects warrant their use? It is on these and related questions that we invite abstracts to be presented at our conference.

– Replacement, technology and labor.

– Replacement and the body.

– Replacement and disability.

Replacement and the queer body.

Replacement and colonialism.

Replacement and representation.

Replacement and translation.

Replacement and biopower

Replacement and the digital.

Replacement by AI.

Replacement and recognition.

Replacement and knowledge production.

Replacement and simulacrum.

Replacement and death.

Replacement and the archive.

– Replacement and documentation


Theoretical understandings of power tend to highlight the importance of controlled reproduction of human beings, or subjects, in order for power to function. One may think of a wide-ranging number of theorists here, from Karl Marx, through Louis Althusser, and on to Michel Foucault. In the study of bureaucratic modes of power exertion, documents can function as the irreplaceable expression of an identity or a right, as in the cases of identity cards, passports, and diplomas.

In translation studies, the notion of translation as a specific act of replacement is of central concern. In media theory and the study of visual culture, the notion of representation can be understood as a moment in which the image replaces the ‘original.’ In literary studies, concepts such as metaphor and metonymy are examples of replacing one word for another, a procedure considered essential to the production of meaning through language.

In Lacanian psychoanalysis, the mirror-stage functions as a scene in which the physical body is temporarily replaced by an imaginary double. Feminist- and queer theorists have often critiqued heterosexist and heteronormative approaches to otherness as failed, or attempted copies of heterosexual male life. In posthumanist discourses, the very notion of the human undergoes a moment of replacement by some kind of being that is no longer fully human and all too often celebrated as beyond the human in a teleological way. And post- and de-colonial theorists have read colonial activities of ‘Western powers’ as forced replacements of one culture for another.

We invite proposals for contributions in the form of 20-minute presentations in which replacement or replaceability are used either as concepts of analysis, put into dialogue with a cultural object, or in which the concepts themselves come under theoretical scrutiny.

Proposals should be no longer than 250 words and have to be sent to no later than June 15th 2018.

Your abstract will be peer reviewed and you will receive notification of acceptance as soon as possible thereafter, but no later than the end of July 2018.

Upon acceptance you will be requested to register and provide some personal details to finalize your registration.

The conference will be a two-day event, taking place at the Universidade Católica Portuguesa. It is scheduled to take place on the 6th and 7th of December 2018.


Registration fee

The Registration Fee is €50,00 (this includes lunch, coffee breaks and conference materials).

For The Lisbon Consortium students and members of CECC, there is no registration fee.


Organizing Committee

Sara Magno, Jad Khairallah & Ilios Willemars


For more information, updates and details, see


Homenagem a Landeg White: 22 de Março

Poetas que não eram Camões/ Poets who weren’t Camões é o último livro que o investigador, poeta e tradutor Landeg White nos deixou, em colaboração com Hélio J. S. Alves. Mário Avelar (Universidade Aberta) e Hélio Alves (Universidade de Évora) falarão da obra numa sessão de homenagem dedicada a Landeg White, falecido recentemente, promovida pelo CECC, pela Universidade Aberta e pela Universidade Católica Portuguesa, dia 22 de Março, no Palácio Ceia.


Gonçalo Pereira Rosa publica ensaio sobre o impacto mediático do falso arrastão

Gonçalo Pereira Rosa acaba de publicar um capítulo no livro From Media Hypes to Twitter Storms. News Explosions and their Impact on Issues, Crisis and Public Opinion, intitulado “How a small-scale panic turns into an unstoppable news wave about mass mugging on the beach, uma reflexão sobre a onda noticiosa criada a propósito do falso ‘arrastão’ de Carcavelos, em 2005. O livro reúne artigos de vários investigadores, é coordenado pelo Dr. Peter Vasterma e editado por Amsterdam University Press.

O livro está disponível em open acess aqui

4 Cs: vídeo da residência artística de Aimée Zito Lema em Lisboa

No âmbito do projecto 4 Cs – From Conflict to Convivialitthrough Creativity and Culture, A artista Aimée Zito Lema (n. 1982, Holanda) passou um mês em residência artística em Lisboa, sediada na associação cultural Rua das Gaivotas 6, tendo desenvolvido investigação sobre memória e transmissão intergeracional através da história material e do corpo humano. Com base numa metodologia de análise crítica, entrevistas a investigadores, workshops com grupos de jovens (em conjunto com Pedro Penim, do Teatro Praga) e acompanhamento do trabalho do Grupo de Teatro do Oprimido, a artista reflectiu sobre o papel do corpo como agente de transformação e entendimento das histórias sociais.

Em Junho, a artista apresenta esta trabalho numa exposição na Fundação Calouste Gulbenkian.

Veja o vídeo aqui.


Call for papers: Lisbon Winter School for the Study of Communication on Media and Populism




Lisbon, January 15-19, 2019


The 1st Lisbon Winter School for the Study of Communication will take a comparative and global approach to the study of media and populism across time. Jointly organized by the Faculty of Human Sciences (Catholic University of Portugal), the Annenberg School for Communication (University of Pennsylvania), the Faculty of Communication Sciences (University of Tampere), and the School of Journalism and Communication (Chinese University of Hong Kong), it aims to uncover what is familiar and distinctive about manifestations of populism around the globe.


Call for Applications

Populism is on the rise in different countries in the West and East, emerging anew in some countries, piggbybacking on existent power structures in others, increasing its representation in still others and unpredictably becoming a mainstream style of political communication in yet others. Even though populist movements have different characteristics, which vary according to the context in which they emerge, all share a style of mediated communication. Driven by a simplistic, black-and-white and polarizing discourse in which often a charismatic leader is presented as an embodiment of the people’s will against elites and established political and social institutions, populist discourse depends on the media to disseminate its sentiments, presenting its leaders as “of the people” and, simultaneously, the only ones capable of resolving existing problems and redeeming the nation (e.g. Müller 2016).

Marked by a specific style of communication between the leaders and the people that uses the media to create a shared community, populism is not only about the “emotional bond between populist players and significant segments of the population” (Block & Negrine, 2017: 183). Grass roots movements are used to cultivate anti-establishment sentiments and create a sense of proximity between populist leaders and their supporters. The media, however, are key because they connect and reconnect individuals to the patriotic, aggressive and emotional speeches used by populist actors.

In different historical periods the media have been used to disseminate hate speech against specific groups – the “others” – who are seen as the source of “our” problems. Written, visual, audio and audiovisual media have been instrumental in providing visibility to the “us versus them” discourse central to populist formations. The mechanisms for disseminating enmity have varied across time, though each is used to legitimize the need to protect the nation against those who are different. However, while classic populism was marked by the media’s manipulation, contemporary neo-populism is “suffused with populist media” that exist in a cultural environment “to which all politicians need to pay homage” (Waisbord 2003: 215). Scholars following this line of thought have associated the emergence of neo-populism with media rituals and practices that they believe allow populist discourses to become prevalent (Mazzoleni, 2003; Kramer, 2014). It is thus possible to argue that neo-populism is partially a product of how the media represent reality and that the media have transformed the coverage of politics into entertainment, focusing mostly on conflict and controversy, and giving more visibility to emotional discourses than to those discussing rational ideas.

Even though populist movements use the media to gain the attention of the public, their rise to power inevitably places journalists and other media practitioners in a vulnerable position. Just as authoritarian regimes consider journalism to be a simple extension of political power, populist governments tend to make the same assumption. They label the media as enemies of the people and journalists as “dishonest people”, thus challenging the liberal tradition of democracy that is grounded on freedom of speech and on the public scrutiny of those in office.

Drawing from this context, in which both right and left-wing populist movements make savvy use of the media while attacking its existence and practices, the 1st Lisbon Winter School for the Study of Communication aims to discuss the role of the media in populist formations. How populists and media practitioners interact, how populism is represented in the media and how it uses media to connect with supporters and marginalize individuals voicing political discontent in different countries and across different time periods needs closer attention. The threat posed to freedom of information by populist movements is central here, but it is part of a larger information ecosystem that raises critical questions about the capacity of the media writ large – journalism, documentary, entertainment – to wrestle with issues and problems that trouble the core of populist appeal.

The Winter School invites proposals by doctoral students and post-docs that address, though may not be not be strictly limited to, the topics below:

  • Interactions between populists and the media
  • Populist strategies of media intimidation
  • Representation of populist movements and actors in the media
  • Digital media and populist grass roots movements
  • Populist rhetoric and discourse
  • Media practice and populism
  • International circulation of populist ideals
  • Hate speech and stereotypes
  • Social media and populism
  • Alternative facts
  • Fake news
  • Information under threat
  • Satire and populism
  • Impact of populism on citizenry
  • ….

The discussions will bring together scholars and graduate students from different geocultural locations, which will allow for the development of a transcultural perspective on these phenomena. Proposals focusing on western and non-western countries are welcomed.


Confirmed Keynote Speakers/Lectures:

  • Barbie Zelizer, Annenberg School for Communication
  • Francis Lee, Chinese University of Hong Kong
  • Karin Wahl-Jorgensen, Cardiff University
  • Nelson Ribeiro, Universidade Católica Portuguesa
  • Risto Kunelius, University of Tampere
  • Rolien Hoyng,  Chinese University of Hong Kong
  • Silvio Waisbord, George Washington University


Paper proposals

Proposals should be sent to no later than July 15, 2018 and include paper title, abstract in English (300 words), name, e-mail address, institutional affiliation and a brief bio (max. 100 words) mentioning ongoing research.

Applicants will be informed of the result of their submissions by September 1, 2018.


Full paper submission

Presenters are required to send in full papers by November 30, 2018.


Rules for presentation

The organizing committee shall place presenters in small groups according to the research focus of their papers. Each present will have a maximum of 15 minutes for presentation in order to allow at least 15 minutes for the discussion of each paper.


Registration fees

Participants with paper – 250€ for the entire week (includes lectures, master classes, doctoral sessions, lunches and closing dinner)

Participants without paper – €50 per session/day | 200€ for the entire week (lectures and master classes only)



The Winter School will take place at the campus of Universidade Católica Portuguesa located in the city of Lisbon.

Due to this heritage and its geographical location, Lisbon has become a central hub in West-East and North-South interconnections. Even though January is one of the coldest months in Lisbon, the average temperature is 15°C (59°F) throughout the day and 8°C (47°F) at night. The city is Europe’s sunniest capital with an average of 2800 hours of sunshine per year. According to the 2017 Global Peace Index, Portugal is the 3rd safest country in the world.

For more information, visit the Winter School’s website: