Falecimento do Professor Landeg White

Caros Investigadores

É com enorme tristeza que recebemos a notícia do falecimento do Professor Doutor Landeg White, poeta eminente, tradutor renomeado e admirado investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura.

O CECC cuidará da memória da sua obra e lembrará com gratidão o seu empenho e a sua gentileza em partilhar o seu saber: across languages, cultures and times.

Foi um privilégio tê-lo entre nós.

Peter Hanenberg 

 

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Falecimento da Professora Doutora Eva-Maria von Kemnitz

É com grande tristeza que recebemos a notícia do falecimento da Professora Doutora Eva-Maria von Kemnitz, ex-Diretora do Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura e coordenadora do Dicionário de Orientalistas de Língua Portuguesa.

O CECC cuidará da memória da sua obra e lembrará com gratidão o seu empenho.

O velório terá lugar na Capela do Alto de S. João amanhã, sexta-feira, a partir das 10h00, seguido da celebração fúnebre às 14h45.

Peter Hanenberg, director do CECC

Peter Hanenberg assina artigo conjunto sobre o impacto de Lutero na actualidade

 

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Imagem: Pintura de Ferdinand Pauwels, 1872, representando Lutero a afixar as suas teses

 

Assinala-se hoje, 31 de Outubro de 2017, 500 anos da Reforma Luterana.  A propósito da figura de Lutero e da efémride, o director do CECC, Peter Hanenberg assina um artigo em conjunto com Nora Steen e Constantin Ostermann  von Roth no Diário de Notícias, com o título: “Será Lutero o responsável pela austeridade?”

Este é, provavelmente, o efeito mais duradouro e mais persistente que Lutero trouxe para a Alemanha e para a Europa: a valorização do indivíduo, dos seus deveres permanentes e da necessidade de austeramente cumprir estes deveres. Toda a vida tem de ser penitência, dizia Lutero já na primeira das suas 95 teses. Sem luxos nem desvios. E daí que os luteranos tenham (e os chamados protestantes em geral) desenvolvido uma austeridade comportamental e uma ética muito particular, que trazem consigo um novo conceito de trabalho e de profissão e uma racionalização “economicamente relevante” (como disse o teólogo Friedrich Wilhelm Graf), que o sociólogo Max Weber descreveu sob o título A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.

Nora Steen, Constantin Ostermann von Roth, Peter Hanenberg

Isabel Capeloa Gil na conferência “Over Her Dead Body Redux. Feminism for the 21st Century

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Isabel Capeloa Gil, directora do Lisbon Consortium e coordenadora da linha de investigação do CECC ‘Art, Culture and Citizenship’ apresentou, no passado dia 21 de Outubro, na Universidade de Zurique, no âmbito da conferência “Over her dead body redux. Feminism for the 21st Century”, a comunicação “Theory in a Post-theoretical World. Beyoncé and the Afterlife of Over Her Dead Body“.

25 years after Over Her Dead Body, to write, to speak about women – as subject and as representation – continues to be an urgent, disturbing and contentious experience. In the discursive flow of critique, Elisabeth Bronfen’s piercing clarity about the object so ‘excessively obvious that it escapes observation” (Bronfen,1992:3) continues to hold a sway over the criticality of feminine representation. By performing the inventory of topical images, that traditionally connote femininity to undo them, I suggest Beyoncé’s Lemonade can be positively read as a case in point of the forensic dynamics that Elisabeth Bronfen has diagnosed at the root of the work of representation.  Beyoncé embraces the terms of the production of woman in mainstream discourse to resist identification with that very same image.The gesture that repeats the stereotype is arguably the same that unpacks it, suggesting the indissoluble, and ambivalent knot between the dominant representation of woman as object of desire and the critique thereof.
Isabel Capeloa Gil

Peter Hanenberg em entrevista ao Diário de Notícias

Por ocasião dos 500 anos de Luteranismo, o Diário de Notícias reuniu três figuras para falar de Lutero. O director do CECC, Peter Hanenberg, deu o seu testemunho como alemão católico e como docente e investigador de Estudos de Cultura, numa conversa que juntou ainda a pastora luterana Nora Steen e Constantin Ostermann von Roth, protestante não luterano, dirigente da Associação São Bartolomeu dos Alemães.

Lutero é uma das figuras centrais da cultura da Alemanha. Por duas razões opostas: primeiro, porque a religião que surgiu com ele foi motivo da divisão entre os alemães em muitos momentos, e essa divisão trouxe, ao longo da história, sofrimento, guerras e conflitos e, neste sentido, pode dizer-se que era um separador dos alemães. Mas ao mesmo tempo é um unificador dos alemães, por exemplo, pela tradução da Bíblia que efetuou, que forneceu as bases para o desenvolvimento da língua alemã.

Peter Haneberg, ao DN, 15 Outubro 2017

A entrevista completa pode ser lida aqui

Field work: call for participation

 

Society of the Spectacle – 50 Years Later

CECC Fieldwork 2017 | November 23-24

 

“All life presents itself as an immense accumulation of spectacles,” writes Guy Debord in his 1967 book, The Society of the Spectacle. “Everything that was once directly lived has become mere representation.” In the theses that follow, Debord offers a revolutionary critique of contemporary capitalist society, a striking vision of a world reduced to the superficiality of images.

For Debord, the concept of the spectacle “unifies and explains a great diversity of apparent phenomena.” And today, in an era of so-called “post-truth,” a hyperreal, liquid modernity in which, as Marx once presciently wrote, “all that is solid melts into air,” the spectacle represents an enduringly valuable concept through which to interpret capitalist society. We live in an age saturated by social media, in which “selfies” hold more weight than actual lived experience, where our lives (both real and virtual) are dominated by advertisements at every turn. Images in urban environments mediate and commodify our social relations on a daily basis, while the 24-hour news cycle helps reduce “knowledge” to a series of vapid, sporadic flashing images. It is within such a context that The Society of the Spectacle finds its real relevance.

The book has stirred considerable controversy and debate. Michel Foucault, for one, insists that modern society is, in fact, “the exact reverse of the spectacle.” For him, “our society is one not of spectacle, but of surveillance.” Meanwhile, Jean Baudrillard builds upon the work, suggesting that the concept of spectacle has been superseded by a new, dystopian regime of simulation. And Sadie Plant shows how many of the ideas of the Situationist International, of which Debord was a member, have come to influence ideas of the postmodern, but in ways which mark a certain political “break.” The work has, arguably, been drained of its fundamental radical qualities, co-opted by the mainstream and repackaged as benign rhetorical theory. In The Society of the Spectacle, as Debord predicts himself, the concept might be reduced to “just another empty formula of sociologico-political rhetoric.”

To celebrate the 50th anniversary of its publication, this two-day symposium, as part of CECC’s annual Fieldwork meeting, will explore the impact and legacy of this pivotal work. In what sense does the spectacle unify or explain the contemporary world? How do individuals and communities produce, confront or challenge spectacle on a daily basis? How relevant is Debord’s spectacle thesis in a rapidly changing contemporary cultural and political landscape? This symposium welcomes contributors to address current local and global concerns through Debord’s ideas, from the increased influence of digital media, the portrayal of refugees and the risk of ecological disaster to gender performativity, urban development and nationalist discourse. We invite academic colleagues, artists and thinkers of all stripes, from Lisbon and beyond, to come together on November 23-24 and join us in a spectacular retrospective of this landmark text in political and cultural theory.

Workshop: Call for Participation
During this two-day symposium, we seek to (re)engage with Debord’s pivotal work and attempt to delve into not only its historical significance, but to also ask new questions about the book’s contemporary relevance. On the morning of November 24, we will organise a student-led workshop, a space for emerging researchers to share their thoughts, ideas and work related to The Society of the Spectacle.

We invite proposals for short, 10-minute papers which engage with the notion of the ‘spectacle’ with both its contemporary and historical relevance and on its use as a theoretical or practical tool. Motivations for papers may include, but are not limited to, the following disciplinary themes, interests and topics:

  • Literary theory and criticism
  • Modernist and postmodernist philosophy
  • Post-war French intellectual theory
  • Media studies and the critique of media
  • The critique of everyday life
  • Migration and the centrality of the image in its contemporary portrayal
  • Political theory
  • Activism and the relationship of research to politics, policy and practice
  • Visual culture and its epistemologies
  • Urban topographies and political spaces
  • Ethnographic approaches to the experience of spectacle

Abstracts (250 words) and a short biographical note should be sent via email to hello@reubenross.net  and matt.mason87@outlook.com , including title, name, contact details and institutional affiliation.
The deadline for submission is 27 October 2017.

For further information or questions, please contact one of the organisers:

Reuben Ross: hello@reubenross.net
Matt Mason: matt.mason87@outlook.com

 

Website: https://societyofthespectacle.persona.co/

“Tensão & Conflito”: exposição no MAAT com curadoria de Luísa Santos

“Tensão e Conflito. Arte em Vídeo após 2008” é o título da exposição com curadoria da investigadora Luísa Santos e de Pedro Gadanho que inaugura no MAAT no próximo dia 12 de setembro, às 19h.

O catálogo da exposição conta com textos de Isabel Capeloa Gil e Michaela Crimmin. A investigadora Luísa Santos apresenta assim esta exposição:

Tensão e Conflito. Arte em Vídeo após 2008. O título no singular poderia apontar para uma grande narrativa do que é a videoarte desde 2008, o ano marcado a nível planetário pela crise financeira. A história da exposição – na verdade, as histórias da exposição – propõe uma leitura plural.

Os conflitos inerentes à crise financeira de 2007-2008 têm sido sujeitos a escrutínio por parte dos media, da opinião pública e da investigação académica de disciplinas tão diversas como a economia, o direito, as ciências sociais e as humanidades. O que essas análises demonstram é o conflito ser sistémico, formado por diferentes causas intrinsecamente ligadas a fatores históricos, geopolíticos, económicos, sociais e ambientais que se intersetam. Muitas vezes diferentes e até opostas, essas análises têm em comum a observação de que a crise originou uma multiplicidade de crises mais pequenas, com realidades locais. A crise não é independente das referências culturais de cada país e não poderá ser sentida da mesma forma num país da Europa do Sul ou num da Europa do Norte, no Brasil ou na Venezuela, nos Estados Unidos ou no Japão. Hoje, parece que estamos perante um conjunto de diversas crises com uma origem em comum, num efeito dominó – mais do que uma crise homogénea e única –, que se traduzem e multiplicam em tensões e conflitos de várias ordens.

As tensões e os conflitos, nas suas várias medidas, acontecem numa dimensão material, vivida, mas também na imaterialidade da imaginação e da representação. É precisamente nesta dimensão imaterial, da perceção, que a arte revela o seu papel enquanto sistema social, se pensarmos na definição de sistemas sociais independentes entre si e com um papel próprio, do sociólogo Niklas Luhmann. A arte – no seu melhor – mostra realidades alternativas ao mundo no qual vivemos, nos domínios social, económico e político. Por outras palavras, imerge na realidade do mundo para depois emergir com perceções e representações dessa mesma realidade. Neste processo de imersão – emersão na realidade, reminiscente do axioma fenomenológico de Edmund Husserl, esconder-se-ão, necessariamente, partes da realidade. Mas é precisamente ao esconder partes de um todo que – como afirmou Martin Heidegger na busca pela origem do trabalho artístico no seu Der Ursprung des Kunstwerkes, 1935-1936 – é possível chegar a uma inteligibilidade do mundo.

A criação e a circulação de imagens, vozes e histórias pela lente da arte – neste caso, da videoarte – têm um papel particularmente relevante no conhecimento que produzem sobre formas emergentes de conflito a acontecer hoje em todo o mundo. Restringir um conjunto de observações sociais a um meio artístico – videoarte – poderá parecer uma escolha formal. Contudo, importa lembrar que a introdução do vídeo como medium nos anos de 1960 veio alterar radicalmente o progresso da arte. Dois dos aspetos mais relevantes do vídeo são o baixo custo e a relativa facilidade de produção, em especial no contexto da evolução técnica dos meios digitais. Estas características são particularmente pertinentes num momento marcado por tantos eventos que traduzem as problemáticas inerentes a uma crise financeira global. Afinal, são estas características que possibilitam que os artistas gravem e documentem os seus trabalhos de performance e ativismo mas também os inúmeros acontecimentos que determinam os sistemas sociais, políticos e económicos em tempo real e com poucos recursos.

Se por um lado o registo das ações – dos artistas, como dos cidadãos e dos políticos – é fulcral para entender as situações que determinam a sociedade, também a criação de ações novas, de ficções e de comentários se revela determinante na perceção e na compreensão do mundo. É precisamente em versões visuais de tensões e conflitos, que começaram e se desenvolveram a partir da crise financeira global de 2007-2008, que a narrativa desta exposição coletiva se desenvolve.

As personagens (os trabalhos) desta narrativa estão unidas por uma série de metodologias. Por um lado, o uso da palavra escrita e oral, com as implicações que as suas traduções culturais envolvem; por outro lado, a apropriação da linguagem e dos materiais dos meios de comunicação e das redes sociais para criar alternativas às mensagens que a comunicação social e os governos veiculam; por outro lado, ainda, as metodologias das ciências sociais, como os métodos etnográficos, para a análise e a descrição de campos sociais específicos; por outro lado, a contradição entre grandes narrativas e pequenas histórias agindo como um canal de defesa, resistência e ativismo; e, por último, a construção de ficções para, com distância necessária, entender e comunicar o mundo atual.

Luísa Santos

tensão e conflito

‘COMPACT’: CECC integra mais um projecto com financiamento europeu

COMPACT: From Research to Policy through raising awareness of the state of the art on social media and convergence, dotado com financiamento europeu no valor de 1 milhão de euros, é mais um projecto internacional a que o CECC se associa, estando a coordenação da equipa portuguesa entregue ao investigador e director da FCH Nelson Ribeiro. O projecto tem a duração de 36 meses.

É o segundo grande projecto a que o CECC se associa este ano: juntamente com o 4 C’s, o CECC está  envolvido em projectos europeus com um financiamento europeu de cerca 2,8 milhões de euros.

COMPACT: FROM RESEARCH TO POLICY THROUGH RAISING AWARENESS OF THE
STATE OF THE ART ON SOCIAL MEDIA AND CONVERGENC

The objective of the project is to increase awareness of the latest technological discoveries among key stakeholders in the context of social media and convergence. The dissemination will be based on key areas that impact the convergence of social media. This includes scientific, political, cultural, legal, economic and technical areas, to name but a few. This is particularly essential to provide knowledge support, but also stimulate an appropriate debate among the various stakeholders (the public, the researchers, scientific and other policy makers and regulators) on the desirable future policies and frameworks that are required and lacking in the state of the art concerning media and content convergence. Additionally, the project seeks to provide research on and experience-exchange of policy and regulation strategies. The aim is to support the R&D digital programs by spreading the innovative ideas and also the innovated outcomes in convergence. To achieve this, the project will offer analyses and road maps of related initiatives. In addition, extensive research on policies and regulatory frameworks in media and content will be developed, integrating crucial topics such as: the types of regulation that are possible, sensible, and currently implemented, joined with contextual analysis of the corresponding issues; court case study on the types of cases that are brought before domestic courts and their implications on fundamental rights, the ways in which domestic courts review interference with fundamental rights in the pursuit of public interests, and the impact of court decisions on national laws and policies concerning social media and convergence; and future trends and recommendations in the policies and regulatory frameworks in media and content convergence. All of the EU countries will be included, although the involvement of additional countries is not excluded.