Peter Hanenberg em entrevista ao Diário de Notícias

Por ocasião dos 500 anos de Luteranismo, o Diário de Notícias reuniu três figuras para falar de Lutero. O director do CECC, Peter Hanenberg, deu o seu testemunho como alemão católico e como docente e investigador de Estudos de Cultura, numa conversa que juntou ainda a pastora luterana Nora Steen e Constantin Ostermann von Roth, protestante não luterano, dirigente da Associação São Bartolomeu dos Alemães.

Lutero é uma das figuras centrais da cultura da Alemanha. Por duas razões opostas: primeiro, porque a religião que surgiu com ele foi motivo da divisão entre os alemães em muitos momentos, e essa divisão trouxe, ao longo da história, sofrimento, guerras e conflitos e, neste sentido, pode dizer-se que era um separador dos alemães. Mas ao mesmo tempo é um unificador dos alemães, por exemplo, pela tradução da Bíblia que efetuou, que forneceu as bases para o desenvolvimento da língua alemã.

Peter Haneberg, ao DN, 15 Outubro 2017

A entrevista completa pode ser lida aqui

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Field work: call for participation

 

Society of the Spectacle – 50 Years Later

CECC Fieldwork 2017 | November 23-24

 

“All life presents itself as an immense accumulation of spectacles,” writes Guy Debord in his 1967 book, The Society of the Spectacle. “Everything that was once directly lived has become mere representation.” In the theses that follow, Debord offers a revolutionary critique of contemporary capitalist society, a striking vision of a world reduced to the superficiality of images.

For Debord, the concept of the spectacle “unifies and explains a great diversity of apparent phenomena.” And today, in an era of so-called “post-truth,” a hyperreal, liquid modernity in which, as Marx once presciently wrote, “all that is solid melts into air,” the spectacle represents an enduringly valuable concept through which to interpret capitalist society. We live in an age saturated by social media, in which “selfies” hold more weight than actual lived experience, where our lives (both real and virtual) are dominated by advertisements at every turn. Images in urban environments mediate and commodify our social relations on a daily basis, while the 24-hour news cycle helps reduce “knowledge” to a series of vapid, sporadic flashing images. It is within such a context that The Society of the Spectacle finds its real relevance.

The book has stirred considerable controversy and debate. Michel Foucault, for one, insists that modern society is, in fact, “the exact reverse of the spectacle.” For him, “our society is one not of spectacle, but of surveillance.” Meanwhile, Jean Baudrillard builds upon the work, suggesting that the concept of spectacle has been superseded by a new, dystopian regime of simulation. And Sadie Plant shows how many of the ideas of the Situationist International, of which Debord was a member, have come to influence ideas of the postmodern, but in ways which mark a certain political “break.” The work has, arguably, been drained of its fundamental radical qualities, co-opted by the mainstream and repackaged as benign rhetorical theory. In The Society of the Spectacle, as Debord predicts himself, the concept might be reduced to “just another empty formula of sociologico-political rhetoric.”

To celebrate the 50th anniversary of its publication, this two-day symposium, as part of CECC’s annual Fieldwork meeting, will explore the impact and legacy of this pivotal work. In what sense does the spectacle unify or explain the contemporary world? How do individuals and communities produce, confront or challenge spectacle on a daily basis? How relevant is Debord’s spectacle thesis in a rapidly changing contemporary cultural and political landscape? This symposium welcomes contributors to address current local and global concerns through Debord’s ideas, from the increased influence of digital media, the portrayal of refugees and the risk of ecological disaster to gender performativity, urban development and nationalist discourse. We invite academic colleagues, artists and thinkers of all stripes, from Lisbon and beyond, to come together on November 23-24 and join us in a spectacular retrospective of this landmark text in political and cultural theory.

Workshop: Call for Participation
During this two-day symposium, we seek to (re)engage with Debord’s pivotal work and attempt to delve into not only its historical significance, but to also ask new questions about the book’s contemporary relevance. On the morning of November 24, we will organise a student-led workshop, a space for emerging researchers to share their thoughts, ideas and work related to The Society of the Spectacle.

We invite proposals for short, 10-minute papers which engage with the notion of the ‘spectacle’ with both its contemporary and historical relevance and on its use as a theoretical or practical tool. Motivations for papers may include, but are not limited to, the following disciplinary themes, interests and topics:

  • Literary theory and criticism
  • Modernist and postmodernist philosophy
  • Post-war French intellectual theory
  • Media studies and the critique of media
  • The critique of everyday life
  • Migration and the centrality of the image in its contemporary portrayal
  • Political theory
  • Activism and the relationship of research to politics, policy and practice
  • Visual culture and its epistemologies
  • Urban topographies and political spaces
  • Ethnographic approaches to the experience of spectacle

Abstracts (250 words) and a short biographical note should be sent via email to hello@reubenross.net  and matt.mason87@outlook.com , including title, name, contact details and institutional affiliation.
The deadline for submission is 27 October 2017.

For further information or questions, please contact one of the organisers:

Reuben Ross: hello@reubenross.net
Matt Mason: matt.mason87@outlook.com

 

Website: https://societyofthespectacle.persona.co/

“Tensão & Conflito”: exposição no MAAT com curadoria de Luísa Santos

“Tensão e Conflito. Arte em Vídeo após 2008” é o título da exposição com curadoria da investigadora Luísa Santos e de Pedro Gadanho que inaugura no MAAT no próximo dia 12 de setembro, às 19h.

O catálogo da exposição conta com textos de Isabel Capeloa Gil e Michaela Crimmin. A investigadora Luísa Santos apresenta assim esta exposição:

Tensão e Conflito. Arte em Vídeo após 2008. O título no singular poderia apontar para uma grande narrativa do que é a videoarte desde 2008, o ano marcado a nível planetário pela crise financeira. A história da exposição – na verdade, as histórias da exposição – propõe uma leitura plural.

Os conflitos inerentes à crise financeira de 2007-2008 têm sido sujeitos a escrutínio por parte dos media, da opinião pública e da investigação académica de disciplinas tão diversas como a economia, o direito, as ciências sociais e as humanidades. O que essas análises demonstram é o conflito ser sistémico, formado por diferentes causas intrinsecamente ligadas a fatores históricos, geopolíticos, económicos, sociais e ambientais que se intersetam. Muitas vezes diferentes e até opostas, essas análises têm em comum a observação de que a crise originou uma multiplicidade de crises mais pequenas, com realidades locais. A crise não é independente das referências culturais de cada país e não poderá ser sentida da mesma forma num país da Europa do Sul ou num da Europa do Norte, no Brasil ou na Venezuela, nos Estados Unidos ou no Japão. Hoje, parece que estamos perante um conjunto de diversas crises com uma origem em comum, num efeito dominó – mais do que uma crise homogénea e única –, que se traduzem e multiplicam em tensões e conflitos de várias ordens.

As tensões e os conflitos, nas suas várias medidas, acontecem numa dimensão material, vivida, mas também na imaterialidade da imaginação e da representação. É precisamente nesta dimensão imaterial, da perceção, que a arte revela o seu papel enquanto sistema social, se pensarmos na definição de sistemas sociais independentes entre si e com um papel próprio, do sociólogo Niklas Luhmann. A arte – no seu melhor – mostra realidades alternativas ao mundo no qual vivemos, nos domínios social, económico e político. Por outras palavras, imerge na realidade do mundo para depois emergir com perceções e representações dessa mesma realidade. Neste processo de imersão – emersão na realidade, reminiscente do axioma fenomenológico de Edmund Husserl, esconder-se-ão, necessariamente, partes da realidade. Mas é precisamente ao esconder partes de um todo que – como afirmou Martin Heidegger na busca pela origem do trabalho artístico no seu Der Ursprung des Kunstwerkes, 1935-1936 – é possível chegar a uma inteligibilidade do mundo.

A criação e a circulação de imagens, vozes e histórias pela lente da arte – neste caso, da videoarte – têm um papel particularmente relevante no conhecimento que produzem sobre formas emergentes de conflito a acontecer hoje em todo o mundo. Restringir um conjunto de observações sociais a um meio artístico – videoarte – poderá parecer uma escolha formal. Contudo, importa lembrar que a introdução do vídeo como medium nos anos de 1960 veio alterar radicalmente o progresso da arte. Dois dos aspetos mais relevantes do vídeo são o baixo custo e a relativa facilidade de produção, em especial no contexto da evolução técnica dos meios digitais. Estas características são particularmente pertinentes num momento marcado por tantos eventos que traduzem as problemáticas inerentes a uma crise financeira global. Afinal, são estas características que possibilitam que os artistas gravem e documentem os seus trabalhos de performance e ativismo mas também os inúmeros acontecimentos que determinam os sistemas sociais, políticos e económicos em tempo real e com poucos recursos.

Se por um lado o registo das ações – dos artistas, como dos cidadãos e dos políticos – é fulcral para entender as situações que determinam a sociedade, também a criação de ações novas, de ficções e de comentários se revela determinante na perceção e na compreensão do mundo. É precisamente em versões visuais de tensões e conflitos, que começaram e se desenvolveram a partir da crise financeira global de 2007-2008, que a narrativa desta exposição coletiva se desenvolve.

As personagens (os trabalhos) desta narrativa estão unidas por uma série de metodologias. Por um lado, o uso da palavra escrita e oral, com as implicações que as suas traduções culturais envolvem; por outro lado, a apropriação da linguagem e dos materiais dos meios de comunicação e das redes sociais para criar alternativas às mensagens que a comunicação social e os governos veiculam; por outro lado, ainda, as metodologias das ciências sociais, como os métodos etnográficos, para a análise e a descrição de campos sociais específicos; por outro lado, a contradição entre grandes narrativas e pequenas histórias agindo como um canal de defesa, resistência e ativismo; e, por último, a construção de ficções para, com distância necessária, entender e comunicar o mundo atual.

Luísa Santos

tensão e conflito

‘COMPACT’: CECC integra mais um projecto com financiamento europeu

COMPACT: From Research to Policy through raising awareness of the state of the art on social media and convergence, dotado com financiamento europeu no valor de 1 milhão de euros, é mais um projecto internacional a que o CECC se associa, estando a coordenação da equipa portuguesa entregue ao investigador e director da FCH Nelson Ribeiro. O projecto tem a duração de 36 meses.

É o segundo grande projecto a que o CECC se associa este ano: juntamente com o 4 C’s, o CECC está  envolvido em projectos europeus com um financiamento europeu de cerca 2,8 milhões de euros.

COMPACT: FROM RESEARCH TO POLICY THROUGH RAISING AWARENESS OF THE
STATE OF THE ART ON SOCIAL MEDIA AND CONVERGENC

The objective of the project is to increase awareness of the latest technological discoveries among key stakeholders in the context of social media and convergence. The dissemination will be based on key areas that impact the convergence of social media. This includes scientific, political, cultural, legal, economic and technical areas, to name but a few. This is particularly essential to provide knowledge support, but also stimulate an appropriate debate among the various stakeholders (the public, the researchers, scientific and other policy makers and regulators) on the desirable future policies and frameworks that are required and lacking in the state of the art concerning media and content convergence. Additionally, the project seeks to provide research on and experience-exchange of policy and regulation strategies. The aim is to support the R&D digital programs by spreading the innovative ideas and also the innovated outcomes in convergence. To achieve this, the project will offer analyses and road maps of related initiatives. In addition, extensive research on policies and regulatory frameworks in media and content will be developed, integrating crucial topics such as: the types of regulation that are possible, sensible, and currently implemented, joined with contextual analysis of the corresponding issues; court case study on the types of cases that are brought before domestic courts and their implications on fundamental rights, the ways in which domestic courts review interference with fundamental rights in the pursuit of public interests, and the impact of court decisions on national laws and policies concerning social media and convergence; and future trends and recommendations in the policies and regulatory frameworks in media and content convergence. All of the EU countries will be included, although the involvement of additional countries is not excluded.

 

‘Jane Austen Superstar’: prazo alargado para submissão de propostas

2017 marks two centuries since the death of Jane Austen in July 18, 1817. Two hundred years after her premature death, the English writer has never been more famous: from movies to tote bags, from mugs to rewritings of various sorts (sequels, guides to dating, adaptations to modern-day circumstances, biographies and fictional biographies, and, of course, translations), her work has invaded and pervaded contemporary imagination.

As Virginia Woolf famously put it, “[h]ere was a woman about the year 1800 writing without hate, without bitterness, without fear, without protest, without preaching” (Woolf, 2008: 88). This apparently unassuming woman penned six powerful novels that have changed the world. Seen by some as an unwitting precursor to the women’s rights movements, read by others as a conservative author, Austen never ceases to baffle the contemporary reader, writer and critic alike: is she a “secret radical”, as Helena Kelly suggests (2006), or is she apolitical and / or a middle-of-the-road author? Is she an author who writes about trifles or does she, as Woolf surmised in 1925, stimulate “us to supply what is not there”? Woolf further adds that “[w]hat she offers is, apparently, a trifle, yet is composed of something that expands in the reader’s mind and endows with the most enduring form of life scenes which are outwardly trivial.”

The conference would like to celebrate Jane Austen’s life and work by discussing (a) how her books form part of the contemporary experience of love, gender, family, social and pecuniary relations and (b) how her writing style, her silences as well as her favourite topics, and her language have shaped modern-day literature, both in the UK and abroad.

In a nutshell, the conference aims to discuss both the author’s rootedness in the late 18th and early 19th centuries, her authorial longevity and acumen, and her to some extent intriguing pop star fame in the last 20 years, proving indeed that “[h]er legacy is not a piece of reportage from the society of a particular past, but a wise and compelling exploration of human nature” (Shields, 2001: 170).

Papers on the following topics are welcome:

  • Authorship and (in)visibility
  • Austen and feminism
  • Jane goes to Hollywood
  • Austen and TV adaptations
  • Austen as a popular icon (fashion, books, visual icon, and other memorabilia)
  • Austen’s critical fortune
  • Austen and (the absence) of history
  • Austen and / in the great tradition
  • Masculinities & the economics of power
  • Jane and mothers
  • Austen and the social value of gossip
  • Flattery in Jane Austen
  • Jane in translation / Translating Austen
  • Places in Austen
  • Austen and politics
  • ‘Janeitism’: from fandom to commodification

Keynote lecturers:

  • Kathryn Sutherland (University of Oxford)
  • Helena Kelly (Mansfield College, Oxford)

Organising Committee:

  • Alexandra Lopes
  • Rita Bueno Maia
  • Maria Sequeira Mendes

Scientific Committee:

  • Teresa Casal (University of Lisbon)
  • João Ferreira Duarte (University of Lisbon)
  • Alexandra Lopes (Universidade Católica Portuguesa)
  • Rita Bueno Maia (Universidade Católica Portuguesa)
  • Adriana Martins (Universidade Católica Portuguesa)
  • Rogério Miguel Puga (New University of Lisbon)
  • Jorge Vaz de Carvalho (Universidade Católica Portuguesa)

The conference languages are English and Portuguese. Speakers should prepare for a 20-minute presentation followed by questions. Please send a 250-word abstract, as well as a brief biographical note (100 words) to austensuperstar@gmail.com by August 27, 2017.

Proposals should list the paper title, name, institutional affiliation, and contact details. Notification of abstract acceptance or rejection will take place by September 18, 2017.

Fees:

Early bird (by October 9):
Participants – 100€
Students (ID required) — 50€
After October 9 but no later than November 10:
Participants – 120€
Students (ID required) – 60€
The registration fee includes coffee breaks on the two days of the conference, as well as conference documentation.

Payment:

By bank transfer:
NIB 003300000017013412105
IBAN PT50 0033 0000 0017 0134 1210 5
SWIFT BCOMPTPL
By cheque made out to:
Universidade Católica Portuguesa
and sent to:
Centro de Estudos de Comunicação e Cultura
a/c Elisabete Carvalho
Universidade Católica Portuguesa
Faculdade de Ciências Humanas
Palma de Cima
1649-023 Lisboa Portugal

Please send the notification (in case of online-banking) or a copy of the bank transfer document to the aforementioned email.

Fernando Ilharco publica artigo sobre Liderança e Medicina Interna

O investigador Fernando Ilharco acaba de publicar na Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna  (indexada na Scielo e no ÍndexRPM), um artigo sobre a temática da Liderança, área em que tem desenvolvido a sua investigação. Neste artigo, aplica as questões da Liderança à prática de Medicina Interna.

O que é liderar na medicina interna, na gestão hospitalar e nos cuidados aos pacientes? Neste artigo procuramos elaborar um quadro conceptual que ajude a responder a esta questão.

Fernando Ilharco,“A Liderança e a Medicina Interna: Breves Reflexões”

 

Luísa Santos sobre colecção António Cachola, na Revista Contemporânea

A investigadora Luísa Santos dedica o seu mais recente artigo na Revista Contemporânea (Jun/Jul17) ao 10º aniversário da Colecção António Cachola, traçando o histórico e destacando os aspectosque determinam a sua relevância no panorama nacional.

O MACE – Museu de Arte Contemporânea de Elvas, que é a casa da Colecção António Cachola, celebra este ano uma década de existência. Há dez anos, Portugal, como o mundo, conhecia o eclodir de uma crise financeira que viria a originar, num efeito dominó, diversas crises pequenas e locais que se multiplicariam nos conflitos de várias ordens que determinam o mundo que conhecemos hoje.

Iniciada nesta contingência, a apresentação da Colecção António Cachola no MACE desenvolveu-se num conjunto de escolhas que traduziram um acto de comprometimento individual que aponta para a etimologia da palavra colecção – do latim collectio, refere a noção de conjunto de coisas agrupadas mediante um sentido; do grego legein, diz respeito a reunir e a listar, ideias que implicam tanto de leitura quanto de compreensão. Na verdade, uma das escolhas que marcam a identidade desta colecção é o seu desejo de partilha através de uma instituição museológica (o MACE), numa conduta que acarreta uma responsabilidade pública, de interpretar e representar – e também de ler e compreender – um determinado espaço-tempo nas suas configurações sociais, culturais e económicas através da arte.

Luísa Santos, ” MACE – Colecção António Cachola. Dez anos, dez comissões – coleccionar é conhecer”