Peter Hanenberg assina artigo conjunto sobre o impacto de Lutero na actualidade

 

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Imagem: Pintura de Ferdinand Pauwels, 1872, representando Lutero a afixar as suas teses

 

Assinala-se hoje, 31 de Outubro de 2017, 500 anos da Reforma Luterana.  A propósito da figura de Lutero e da efémride, o director do CECC, Peter Hanenberg assina um artigo em conjunto com Nora Steen e Constantin Ostermann  von Roth no Diário de Notícias, com o título: “Será Lutero o responsável pela austeridade?”

Este é, provavelmente, o efeito mais duradouro e mais persistente que Lutero trouxe para a Alemanha e para a Europa: a valorização do indivíduo, dos seus deveres permanentes e da necessidade de austeramente cumprir estes deveres. Toda a vida tem de ser penitência, dizia Lutero já na primeira das suas 95 teses. Sem luxos nem desvios. E daí que os luteranos tenham (e os chamados protestantes em geral) desenvolvido uma austeridade comportamental e uma ética muito particular, que trazem consigo um novo conceito de trabalho e de profissão e uma racionalização “economicamente relevante” (como disse o teólogo Friedrich Wilhelm Graf), que o sociólogo Max Weber descreveu sob o título A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.

Nora Steen, Constantin Ostermann von Roth, Peter Hanenberg

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Peter Hanenberg em entrevista ao Diário de Notícias

Por ocasião dos 500 anos de Luteranismo, o Diário de Notícias reuniu três figuras para falar de Lutero. O director do CECC, Peter Hanenberg, deu o seu testemunho como alemão católico e como docente e investigador de Estudos de Cultura, numa conversa que juntou ainda a pastora luterana Nora Steen e Constantin Ostermann von Roth, protestante não luterano, dirigente da Associação São Bartolomeu dos Alemães.

Lutero é uma das figuras centrais da cultura da Alemanha. Por duas razões opostas: primeiro, porque a religião que surgiu com ele foi motivo da divisão entre os alemães em muitos momentos, e essa divisão trouxe, ao longo da história, sofrimento, guerras e conflitos e, neste sentido, pode dizer-se que era um separador dos alemães. Mas ao mesmo tempo é um unificador dos alemães, por exemplo, pela tradução da Bíblia que efetuou, que forneceu as bases para o desenvolvimento da língua alemã.

Peter Haneberg, ao DN, 15 Outubro 2017

A entrevista completa pode ser lida aqui

Gonçalo Pereira Rosa: entrevista sobre novo livro

Gonçalo Pereira Rosa lançou recentemente O Inspetor da PIDE Que Morreu Duas Vezes – e outras gaffes, triunfos e episódios memoráveis do século xx na imprensa portugues (Ed. Planeta), um conjunto de 26 histórias que relatam peripécias do jornalismo português do século passado. A propósito deste novo título, apresentado na Feira do Livro, o investiagdor do CECC deu uma entrevista ao Jornal I/Sol, onde comenta a obra, reflecte sobre a profissão de jornalista e alguns aspectos históricos que marcaram esta actividade em Portugal.

 

 

Alexandra Balona é co-autora de projecto vencedor do programa Criatório

A investigadora Alexandra Balona, a realizar um doutoramento em Estudos de Cultura do Lisbon Consortium, é co-autora, com Sofia Lemos, do projecto mais bem classificado, entre 300, do Criatório, o programa de apoios à criação cultural lançado no final de 2016 e com o qual a Câmara do Porto se comprometeu a atribuir 15 mil euros a 16 projectos.

 

Alexandra Balona e Sofia Lemos sobre o projecto:

ESTADOS GERAIS: Pensamento e Contemporaneidade apresenta-se como uma programação pública de crítica do contemporâneo que visa promover o debate e a inscrição reflexiva nacional e internacional, centrado num eixo estruturante — a desconstrução do sujeito moderno e contemporâneo, num mundo global mais-do-que-humano — expandido em três linhagens temáticas que darão lugar a três simpósios.

A iniciar o ciclo em Outubro de 2017, o primeiro simpósio intitulado #MATÉRIA: Multiplicidade e Abertura terá lugar em Serralves – Museu de Arte contemporânea, e articular-se-á com a programação da instituição em artes performativas. O segundo e terceiro momentos, respectivamente, #AGENCIAMENTOS: Pensar e agir no Antropoceno e #COMUM: Ser Singular Plural terão lugar no Rivoli Teatro Municipal do Porto, em Fevereiro e Maio de 2018, e articular-se-ão com programação conjunta em artes performativas. 

Cada simpósio pretende ser um evento amplo e transdisciplinar organizado no decurso de dois dias, e visa convidar diversas audiências através de duas modalidades de compromisso: painéis conferencistas, seguido de um debate moderado por um convidado local ou international, articulados com eventos de artes performativas.

O primeiro momento #MATÉRIA: Multiplicidade e Abertura visa instigar um sujeito que se constitui em permanente devir e multiplicidade, nos limites porosos que vão além da sua espécie de animal “humano” para outras liminalidades da animalidade não humana, hibridez, queerness, modos múltiplos de raça e de género, formado não só em contacto com o que o circunda, mas sendo dele parte integrante. 

No segundo momento, #AGENCIAMENTOS: Pensar e agir no Antropoceno, procura-se investigar o debate contemporâneo em torno daquilo a que chamamos “Natureza” e desconstruir o posicionamento antropocêntrico perante a realidade material, animada ou inanimada, que vai além do humano. Visa-se potenciar agenciamentos alternativos no sentido de promover ecologias horizontais, numa articulação ético-política.

Finalmente, #COMUM: Ser Singular Plural propõe um debate sobre o humano como aquele que se constitui num permanente processo relacional e plural com o Outro, sendo esta alteridade múltipla e tentacular. Assim, opera-se numa plataforma alicerçada na desmaterialização da dicotomia do indivíduo e do Outro, promovendo reflexões ontológicas relacionais e modais.
Alexandra Balona é ainda crítica de dança no jornal Público, onde escreve regularmente. No seu mais recente artigo “A ética do negativo” (17 Maio 2017) debruça-se sobre a obra de Jonathan Saldanha.

David Altheide em entrevista ao Diário de Notícias

Gustavo Bom Global images

Imagem: Gustavo Bom/ Global Imagens

Donald Trump é um político único na história recente americana. Provavelmente, no passado, o político que, como populista, apelou às emoções mais negativas das pessoas terá sido George Wallace, quando fazia campanha para a presidência, há meio século. Mas Trump é único, certamente único, por ter sido eleito presidente dos Estados Unidos. Nunca houve ninguém como ele, algumas pessoas diriam, em cem anos.

Palavras de David Altheide, em entrevista ao Diário de Notícias (DN). Professor jubilado da Universidade Estadual do Arizona, autor dos livros como Creating Fear: News and the Construction of Crisis e Terrorism and the Politics of Fear, dedicou a sua carreira de investigação à relação entre a política e os media. Na Universidade Católica, apresentou, no passado dia 29 de Março, a palestra “The media syndrome and contemporary crisis”.

Na entrevista ao DN, falou da figura de Trump, do actual contexto americano, do papel contemporâneo das redes sociais e das características do cenário mediático daquele país.

Leia a entrevista completa aqui

José Manuel Simões lança livro sobre jornalismo em português em Macau

“Jornalismo Multicultural em Português – Um Estudo de Caso em Macau” é o novo livro de José Manuel Simões, que resulta do seu projecto de pós-doutoramento,na Universidade Católica, sob orientação do director da Faculdade de Ciências Humanas, Nelson Ribeiro. O autor reside em Macau desde 2008 e este projecto, focado naquela realidade, constitui a continuação natural da sua investigação  sobre o panorama ético do jornalismo em termos globais.

“Jornalismo Multicultural em Português – Um Estudo de Caso em Macau” “tem o potencial de contribuir, de forma decisiva, para a complexificação do pensamento sobre a imprensa e o jornalismo no século XXI, permitindo aos leitores descobrir uma realidade que nem sempre surge reflectida no discurso Ocidental sobre os meios de comunicação”, afirmou Nelson Ribeiro ao site Ponto Final.

José Manuel Simões, por sua vez, falou também ao jornal Tribuna de Macau (pág.8), afirmando: “Em Macau, as pessoas vivem em segurança, há uma determinada harmonia entre as comunidadesmas não há pontes, conhecimento até. Portanto, os jornais poderiam ter esse papel para contribuir que haja um conhecimento e uma maior proximidade das outras comunidades”. Sobre as conclusões da investigação, adiantou: “Há expressão sem obstáculos, sem constrangimentos na forma como se faz jornalismo em português em Macau”, mesmo que, acrescentou, “se possa pensar que sendo os jornais subsidiados pelo Governo após cinco anos de existência estarão dependentes”. Referiu ainda, em contrapartida, a questão da dificuldade de acesso às fontes.

Pode saber mais sobre este projecto em entrevista do autor à TDM (a partir do minuto 41:50).

 

 

“Ulisses acompanha-me desde a adolescência”: Jorge Vaz de Carvalho à RTP sobre a tradução da obra de James Joyce

Foi publicado pela primeira vez em 1922: Ulisses, de James Joyce, tem em Portugal a sua mais recente tradução pela mão do  investigador do CECC Jorge Vaz de Carvalho, com edição da Relógio d’Água.

No programa ‘Literatura Agora’, emitido na RTP 2 a 3 de Janeiro de 2017, o tradutor, docente e investigador fala sobre a obra, a relação com o livro ao longo da sua vida e a excepcionalidade do romance. Veja aqui.

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Eduardo Cintra Torres: novo artigo em revista brasileira

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Eduardo Cintra Torres publicou recentemente”O Protagonismo Mediático da Multidão nos Movimentos Sociais” acaba de ser publicado na prestigiada revista brasileira Estudos Íbero-Americanos, editada em Porto Alegre, Brasil.

A importância adquirida por movimentos sociais e pela sua expressão multitudinária e midiática na vida política e social de países como o Egito, a Tunísia, o Brasil, a Turquia ou a Ucrânia é aceita com unanimidade pelos analistas na imprensa e nos estudos acadêmicos. Este artigo pretende refletir sobre aspectos que, todavia, não parecem estar devidamente identificados e estabelecidos: o momento de multidão como, ainda e sempre, o ponto de viragem no impacto de um movimento social; a relevância da multidão para além do eventual fracasso dos objetivos que a motivaram; a explicação da manutenção da importância das midias “tradicionais” na era da Internet e das redes sociais eletrônicas; a filiação histórica das principais características do fenômeno multitudinário e o acento correto no que é realmente novo, caso do marcado empoderamento do indivíduo em algumas multidões contemporâneas, como as do Brasil em 2013, e a fluidez do ativismo nas democracias desenvolvidas.

O artigo está disponível aqui.

O investigador deu também uma entrevista ao Observador, onde falou sobre jornalismo e democracia e a eleição do presidente norte-americano.

Eduardo Cintra Torres em entrevista ao Observador

Eduardo Cintra Torres

O investigador, professor e crítico televisivo Eduardo Cintra Torres falou ao Observador, na edição de 20 de Agosto. Uma conversa sobre o percurso de vida, os interesses académicos, as transformações contemporâneas da comunicação social. Deixamos-lhe a apresentação da jornalista Maria João Avillez, que conduziu a conversa:

Fez uma marca: Cintra Torres. A marca habitualmente incomoda. Eduardo Cintra Torres semeia a polémica, irrita, divide as plateias. Mas é igualmente ouvido, lido, convidado a dissertar e intervir, tanto na Universidade como no espaço mediático. Tem 59 anos, é sóbrio, curioso, cosmopolita e algo distante. Licenciou-se em História, fez o Mestrado em Comunicação, tem um doutoramento em Sociologia e muita obra publicada. Apaixonado investigador e estudioso dos fenómenos mediáticos (ensina na Católica e no ISCTE), é também critico de televisão com lugar cativo no comentário semanal televisivo e assinatura em crónica de jornal (ambos do grupo do Correio da Manhã).

Costuma ser severo (em demasia?), faz as coisas a sério, cultiva um verbo seco e incisivo de quem se responsabiliza pelo que diz. E, last but not least, parece (com divertimento, aliás), consumir algumas gramas de auto-suficiência. Mas, voilá, poucos em Portugal, analisarão a televisão enquanto fenómeno, a sua génese e as suas consequências, como Eduardo Cintra Torres.

 

Para ele, ela é um livro aberto.

Pode ler-se a entrevista aqui