Gonçalo Pereira Rosa: entrevista sobre novo livro

Gonçalo Pereira Rosa lançou recentemente O Inspetor da PIDE Que Morreu Duas Vezes – e outras gaffes, triunfos e episódios memoráveis do século xx na imprensa portugues (Ed. Planeta), um conjunto de 26 histórias que relatam peripécias do jornalismo português do século passado. A propósito deste novo título, apresentado na Feira do Livro, o investiagdor do CECC deu uma entrevista ao Jornal I/Sol, onde comenta a obra, reflecte sobre a profissão de jornalista e alguns aspectos históricos que marcaram esta actividade em Portugal.

 

 

Advertisements

José Manuel Simões lança livro sobre jornalismo em português em Macau

“Jornalismo Multicultural em Português – Um Estudo de Caso em Macau” é o novo livro de José Manuel Simões, que resulta do seu projecto de pós-doutoramento,na Universidade Católica, sob orientação do director da Faculdade de Ciências Humanas, Nelson Ribeiro. O autor reside em Macau desde 2008 e este projecto, focado naquela realidade, constitui a continuação natural da sua investigação  sobre o panorama ético do jornalismo em termos globais.

“Jornalismo Multicultural em Português – Um Estudo de Caso em Macau” “tem o potencial de contribuir, de forma decisiva, para a complexificação do pensamento sobre a imprensa e o jornalismo no século XXI, permitindo aos leitores descobrir uma realidade que nem sempre surge reflectida no discurso Ocidental sobre os meios de comunicação”, afirmou Nelson Ribeiro ao site Ponto Final.

José Manuel Simões, por sua vez, falou também ao jornal Tribuna de Macau (pág.8), afirmando: “Em Macau, as pessoas vivem em segurança, há uma determinada harmonia entre as comunidadesmas não há pontes, conhecimento até. Portanto, os jornais poderiam ter esse papel para contribuir que haja um conhecimento e uma maior proximidade das outras comunidades”. Sobre as conclusões da investigação, adiantou: “Há expressão sem obstáculos, sem constrangimentos na forma como se faz jornalismo em português em Macau”, mesmo que, acrescentou, “se possa pensar que sendo os jornais subsidiados pelo Governo após cinco anos de existência estarão dependentes”. Referiu ainda, em contrapartida, a questão da dificuldade de acesso às fontes.

Pode saber mais sobre este projecto em entrevista do autor à TDM (a partir do minuto 41:50).

 

 

Crianças e media digitais: Patrícia Dias é co-autora de capítulo em novo livro

“Young Children and Digital Media in the Home: Parents as Role Models, Gatekeepers, and Companions” , assinado pela investigadora do CECC Patrícia Dias, em co-autoria com Rita Brito, é o título do capítulo agora integrado no livro Family Dynamics and Romantic Relationships in a Changing Society, um volume que se debruça sobre os impactos das mudanças socio-culturais nas relações afectivas e pessoais.

O texto em destaque resulta da participação das investigadoras no projecto europeu  Young Children and Digital Technologies (2015). Segundo Patrícia Dias: “Este capítulo foca o papel desempenhado pelas tecnologias digitais, principalmente o tablet, nas dinâmicas familiares nos lares. Uma das conclusões interessantes é que as tecnologias também são ‘trigger’ de novas rotinas de intimidade, como ler histórias antes de adormecer mas em ebook, jogar em conjunto, ou partilhar o visionamento de vídeos e videoclips no YouTube.”

O capítulo pode ser adquirido online, aqui.

Filipe Resende analisa a cobertura jornalística da campanha eleitoral de Rui Moreira

“A cobertura jornalística da candidatura do independente Rui Moreira às eleições autárquicas de 2013” é o título do artigo do doutorando e investigador junior Filipe Resende em Comunicação Pública, em que analisa os tipos de meios de comunicação, a evolução mensal das notícias, o tom, o enquadramento e o estilo.

A vitória de Rui Moreira nas eleições autárquicas de 2013 no Porto surpreendeu a sociedade portuguesa. A interpretação deste resultado pode relacionar-se com facto de esta candidatura ser independente num contexto de descredibilização partidária. Perante o aumento do jornalismo negativo, o presente estudo analisa a cobertura jornalística da candidatura de Rui Moreira no período de campanha eleitoral para essas eleições autárquicas. A investigação foca-se numa abordagem quantitativa, suportada numa análise de conteúdo. O enfoque do estudo situa-se entre os meses de agosto e setembro de 2013. Os resultados esperados apontam para uma cobertura favorável em torno de Rui Moreira, permitindo aumentar a sua visibilidade e a sua popularidade enquanto candidato.

Pode ler o texto na íntegra aqui

“Quis colocar o país no mapa da investigação”, afirma Carla Ganito sobre livro em torno de tecnologias e género

Carla Ganito é Professora Auxiliar da Faculdade de Ciência Humanas da Universidade Católica Portuguesa e investigadora do CECC da linha “Media, Tecnologia e Contextos”. No seu mais recente livro, que resulta da tese de doutoramento, Carla Ganito aborda a relação entre telemóvel e género, tratando o caso português, trabalho de que nos fala nesta entrevista.

Entre várias outras publicações anteriores, destaca-se ainda ‘Moving Time and Juggling Spheres: (I)Mobilities in the Gendering of the Mobile Phone’. Feminist Media Studies. Special Issue “Women and Mobile Intimacy in an Age of Social Media and Affective Technology”; Cardoso, G., C. Ganito, & C. Ferreira (2012). ‘Digital Reading: The Transformation of Reading Practices’.

ECC_WomenSpeak_CAPA_AF

Nuno Brandão lançou livro na Universidade Católica

Dia 15 de Dezembro, a Universidade Católica foi o local escolhido pelo investigador do CECC Nuno Goulart Brandão para lançar o seu novo livro Os Media e o Território Televisivo (Escolar Editora), apresentado pelo jornalista e director de informação da RTP Paulo Dentinho, perante uma plateia de jornalistas, professores e alunos.

Para o blogue do CECC, o docente, que celebra 25 anos a leccionar, e ex-profissional de televisão, meio onde exerceu várias funções, falou sobre este livro, que se dirige a dois públicos e incide sobre problemáticas éticas.

Eduardo Cintra Torres: novo artigo em revista brasileira

eduardo-cintra-torres-700x325

Eduardo Cintra Torres publicou recentemente”O Protagonismo Mediático da Multidão nos Movimentos Sociais” acaba de ser publicado na prestigiada revista brasileira Estudos Íbero-Americanos, editada em Porto Alegre, Brasil.

A importância adquirida por movimentos sociais e pela sua expressão multitudinária e midiática na vida política e social de países como o Egito, a Tunísia, o Brasil, a Turquia ou a Ucrânia é aceita com unanimidade pelos analistas na imprensa e nos estudos acadêmicos. Este artigo pretende refletir sobre aspectos que, todavia, não parecem estar devidamente identificados e estabelecidos: o momento de multidão como, ainda e sempre, o ponto de viragem no impacto de um movimento social; a relevância da multidão para além do eventual fracasso dos objetivos que a motivaram; a explicação da manutenção da importância das midias “tradicionais” na era da Internet e das redes sociais eletrônicas; a filiação histórica das principais características do fenômeno multitudinário e o acento correto no que é realmente novo, caso do marcado empoderamento do indivíduo em algumas multidões contemporâneas, como as do Brasil em 2013, e a fluidez do ativismo nas democracias desenvolvidas.

O artigo está disponível aqui.

O investigador deu também uma entrevista ao Observador, onde falou sobre jornalismo e democracia e a eleição do presidente norte-americano.

Economia criativa e indústria cinematográfica brasileira: artigo de Cleber Morelli Mendes

salacinema

Cleber Morelli Mendes, investigador junior do CECC, acaba de publicar, em co-autoria, na revista brasileira de Comunicação Verso e Reverso, o artigo “O desenvolvimento da economia criativa no Brasil: uma perspectiva através da indústria cinematográfica brasileira”, consultável aqui

Resumo

Esse estudo tem como objetivo analisar o atual panorama da economia criativa no Brasil, com foco na indústria cinematográfica nacional. Assim, busca-se compreender como o setor se comporta no Brasil, seu histórico e filmes brasileiros como potenciais enquanto produto econômico. Para realizar a referida análise, o trabalho verificou a bibliografia disponível sobre o tema e os dados estatísticos gerados pelas instituições envolvidas com o setor da economia criativa e indústria cinematográfica brasileira. Este trabalho é uma tentativa de refletir sobre o comportamento do setor e apontar alguns caminhos que a indústria possa seguir.

Palavras-chave: cinema brasileiro, economia criativa, economia da cultura, indústria cinematográfica, indústria criativa.

Investigadores do CECC nomeados para cargos na ECREA organizam eventos em 2017

No último encontro da European Communication Research and Education Association (ECREA), Nelson Ribeiro foi eleito Chair da secção Communication History, Ana Jorge, vice-chair da secção Digital Culture and Communication e Rita Figueiras, vice-chair da secção Mediatization.

Foram também anunciados os eventos que acontecerão em Lisboa no próximo ano relacionados com esta organização:

Audiences2030, conferência apoiada pela secção Audience and Reception Studies, 28 e 29 de Setembro de 2017, com coordenação de Ana Jorge

audiences2030.png

– workshop da secção de Mediatization, 6 e 7 de Outubro de 2017,  com coordenação de Rita Figueiras

– “Risk and Crises Communication in the Digital Age” apoiada pela secção Crisis Communication, organizada por Nelson Ribeiro, Carla Ganito e Inês Romba, de 19 a 21 Outubro 2017

riskcrises

 

 

“Work Gone Missing in Communication Theory: Veils of Fast Capitalism”: a conferência de Ed Mkluskie

 

 

A Universidade Católica Portuguesa recebeu, no passado dia 20 de outubro, o Professor Ed McLuskie, membro do Departamento de Comunicação da Boise State University, numa palestra intitulada “Work Gone Missing in Communication Theory: Veils of Fast Capitalism”, organizada pela linha de investigação do CECC “Media, Tecnologia, Contextos”.
Ed McLuskie é reconhecido internacionalmente enquanto filósofo da comunicação e teorista crítico, sendo frequentemente convidado para lecionar em universidades europeias. Foi por duas vezes nomeado Senior Fullbright Professor e fez parte do Fulbright Commission’s National Discipline Peer Review Committee. Tem uma extensa lista de publicações, incluíndo artigos no Journal of Communication e no Journal of Communication Inquiry. Tem desenvolvido projetos internacionais com os seus alunos e lecionado diversos seminários em universidades estrangeiras, onde aborda o tema da crítica em ciência da comunicação, bastante presente na sessão dada na UCP.
A palestra começa com uma afirmação intrigante. Ed McLuskie diz “a minha área de estudo chama-se ‘comunicação’, mas pode ser outra coisa diferente.” Termos como “táticas”, “eficiência”, “persuasão” e “manipulação de audiências” são frequentemente associados a este ramo de estudo. No geral, as pessoas julgam saber o que é comunicação e tendem a mostrar-se relutantes à alteração das suas pré-conceções.
Após uma leitura de excertos sobre este tema, em que se aborda a cultura popular consumista que vivenciamos, o apego à estrutura social no contexto do estudo de comunicação e o conceito de “capitalismo do portátil” – laptop capitalism -, o orador diz-nos que quer falar sobre “a relação entre trabalho, vida e vida interativa, uma relação que coloca a comunicação por detrás de um véu de capitalismo.” Este véu afeta igualmente a investigação em ciências da comunicação, no qual Ed McLuskie se foca, apesar de, na sua opinião, o campo não ser considerado teórico. Isto prende-se com o facto de conceitos como “marketing” e “propaganda”, que são práticos por natureza, serem associados às ciências da comunicação. A comunicação torna-se, assim, uma ferramenta adaptada às necessidades do sistema capitalista e a teoria da comunicação surge como um sistema conceptual de apoio.
O conceito de fast capitalism, cunhado por Ben Agger, pretende então frisar a velocidade a que as mudanças acontecem num mundo profundamente tecnológico, no contexto do sistema económico capitalista, ao nível teórico e prático. Illouz, na sua obra Cold Intimacies, define este conceito como a tendência para “comprimir o tempo no sentido de aumentar a eficiência económica.” Assim, num modelo neoliberal de pensamento, o estudo da relação entre capitalismo e comunicação é dificultado. Estes conceitos estão enraizados numa sociedade que se mostra classista, levando a que a teoria de comunicação avance sem que se considere divergências entre classes sociais e movimentos da oposição.
O orador avança com estas considerações falando da diferença entre as palavras trabalho, work, e labor, labour. Apesar de na língua inglesa padecerem de alguma redundância, os dois termos implicam ênfases distintos nas suas conotações. Num contexto capitalista, o conceito labour apresenta uma relação dialética com o termo “interação”, que se relaciona com o desejo de ser reconhecido, de ser ouvido enquanto ser humano. No exercício de comunicação, assim, esperamos compreensão, reconhecimento e antecipamos que a mensagem que recebemos é verdadeira. Sendo aqui a “verdade” uma dimensão moral normativa, o contrário leva a complicações nas dinâmicas de poder.
Outra consideração colocada pelo orador prende-se com o relativismo absoluto nas teorias de comunicação. Neste caso, posições opostas poderão conviver e ser bem-sucedidas, o que McLuskie critica por dificultarem o pensamento dialético. Fala ainda de modelos de comunicação que se focam simplesmente no lucro, que podem ser lidos enquanto financeiros, e em que pessoas e instituições são meros agentes de mercado.
No que diz respeito a comunicação organizacional, critica o foco no adjetivo, uma vez que as teorias relacionadas com esta temática tendem a enfatizar aspetos relacionados com as organizações e não com a comunicação em si. Critica a “intolerância positivista” dos gestores, que estudam comunicação com o mero objetivo de serem eficientes nas suas comunicações, frisando que a ambiguidade que assim se extingue é um “convite à interação”, proporcionadora de discussão e formulação de teorias. Ainda no âmbito das instituições, exemplifica com o caso das universidades onde, muitas vezes, os organismos de topo são considerados gestores e o pensamento crítico é uma mera ferramenta a ser desenvolvida em cursos como Ciências da Comunicação. Assim, as Humanidades são instrumentalizadas como mera forma de desenvolver estas soft skills.
Numa apresentação cativante, provocadora e instigadora de reflexão sobre a contemporaneidade, Ed McLuskie suscitou discussão quanto a questões básicas relacionadas não só com a importância e a forma de teorizar comunicação, mas também com o conceito de comunicação em si.

Mafalda Duarte Barrela

(Aluna 1º ano Mestrado em Estudos de Cultura)