Liderança e Mourinho: novo artigo de Fernando Ilharco em revista indexada na Scopus

Já está disponível o mais recente artigo do investigador Fernando Ilharco, com o título “The relevance of media in football coaching: the case of José Mourinho’s leadership approach”, publicado na revista ‘Soccer & Society’, indexada na Scopus. Este número será publicado em papel ainda em 2017 mas está já disponível online em ‘Latest Articles’.

This article examines the leadership approach of the football coach José Mourinho, particularly of the relevance of the media for his top performance at Porto (2002–2004), Chelsea (2004–2007), Inter Milan (2008–2010) and Real Madrid (2010–2013). The perspective from which we analyse the work of Mourinho in that period, and his presence in the media, is based on what science calls the paradigm of complexity. This is a relational perspective which, in this case, means not only focusing upon the actions ‘central’ to the activity in question – the technique, tactics, physical preparation and so on – but, with particular relevance, detail and in an integrated fashion, also focusing on the media and the cultural context in which the activity takes place. Key to the transformational work of José Mourinho is his presence in the media, the managing of fame, the challenges and ambitions of the players, the fans and the general public. At stake is a personification of a global system of significance.

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Coffee break de Outubro: A propósito de Vilém Flusser

 

No passado dia 18 de Outubro, retomou-se a iniciativa CECC Coffee Breaks, que segue para a sua 6ª edição, com uma apresentação sobre o filósofo Vilém Flusser dos investigadores Fernando Ilharco, doutorado em Information Systems pela London School of Economics (LSE), e Élmano Souza, doutorando em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.
Fernando Ilharco começou por falar na vida e obra do autor, referindo que este “tem o seu quê de mistério e diferença na experiência humana da vida”. Vilém Flusser nasceu em Praga em 1920, onde iniciou o estudo de filosofia. Devido à ocupação nazi, altura em que perdeu grande parte da família, tem uma breve passagem por em Londres, onde continua os estudos na LSE. Em 1940, muda-se para o Brasil, país onde vive durante grande parte da sua vida. Segundo Fernando Ilharco, é então que Flusser começa a escrever e pensar em português, considerando o ser brasileiro a sua primeira identidade. Nos anos 70 deixa o Brasil e passa uma temporada em França, para regressar a Praga em 1991 onde acaba por falecer num acidente de carro.
O autor poliglota escrevia regularmente em alemão, aquela que considerava a sua língua de trabalho, e português. Flusser, segundo o orador, é um nómada e apátrida do conhecimento, o que é exemplificado pela obra “Filosofia da caixa preta”, publicada naquelas duas línguas. A caixa preta surge, no sentido literal, como a câmara fotográfica, e no sentido metafórico como os media, as tecnologias e a cultura mediática no geral. Em Língua e Realidade, o autor explora como os distintos grupos linguísticos constroem realidades e tempos diferentes. Outras obras mencionadas pelo orador incluem O Universo das imagens técnicas, Vampyroteuthis Infernalis, Uma filosofia do Design, Writings, sendo esta uma coletânea dos seus textos traduzidos para inglês”, Flusseriana, uma enciclopédia dos termos de Flusser, A Escrita: há futuro para a escrita?” e Fenomenologia dos gestos.
Fernando Ilharco introduziu ainda o conceito das três catástrofes, que Flusser define como momentos de rutura imprevisíveis. A primeira refere-se à descida do primata para a savana, o que lhe confere um caráter nómada. Na segunda catástrofe, o homem corta com o nomadismo para dar lugar ao sedentarismo. Numa reflexão muito teórica e especulativa, Flusser fala metaforicamente em “paredes”, que o homem constrói em seu redor. A terceira catástrofe, que agora experienciamos, é, afirma, a catástrofe sem nome, em que o mundo não é parado por paredes e o homem surge como nómada informacional e comunicacional. A história, segundo Flusser, está dividida em três períodos: a pré-história, a história e a pós-história. Existe uma certa dialética entre os três momentos, sendo que a história começa com a escrita e no terceiro momento a escrita é acelerada porque tem sucesso. Assim, os livros transformam-se em ciência que se transforma em software que culmina em imagens técnicas.

Após uma leitura e breve análise de excertos de A Escrita: há futuro para a escrita?, Élmano Souza explicou o conceito-chave de “abstração” na obra de Flusser. Começou por definir comunicologia, a teoria da comunicação que, nas palavras do autor, é um metadiscurso de todas as comunicações humanas de tal forma que este poderá ser utilizado para enfatizar as estruturas das mesmas, tendo este termo levado à inserção do seu trabalho no ramo da filosofia. Frisou ainda a relevância dos “códigos” na filosofia do autor, expressão utilizada transversalmente para se referir a pinturas rupestres, novos media ou mesmo o gesto humano. Dentro do gesto humano inclui-se, por exemplo, falar, escrever, plantar, decifrar e significar, sendo o último uma atividade humana, quotidiana e permanente. Assim, a comunicação está dependente da mediação destes códigos, que Flusser estrutura em quatro abstrações. A primeira abstração é referente à objetivação do mundo, que aqui é transformado em circunstância, e subjetivação do homem. O homem afasta-se da realidade tridimensional, palpável, que se distingue pelo gesto de manipular. O segundo gesto de abstração é a visão, caracterizado pela sua bidimensionalidade, em que a circunstância imaginada representa o mundo. Com o surgimento da escrita, surge uma terceira abstração, unidimensional, ocorrendo assim a consciencialização e historização do mundo. Deste modo, basta ao homem o gesto de concetualizar para perceber o mundo, o universo contável. Por último, a quarta abstração refere-se ao gesto de calcular. Surgem as imagens técnicas, que não fazem mais referência à circunstância, que resultam da desintegração do mundo em pontos zero-dimensionais, e cuja agregação permite uma nova atribuição de significado à mediação. Nesta situação, existe o risco de o homem utilizar o programa, o software, mas não compreender o seu mecanismo. Assim, na 4ª abstração, Flusser receia que o homem não entenda o funcionamento interno da “caixa preta”.
Nesta linha de pensamento, o investigador Élmano Souza terminou com um alerta, citando o aforismo grego “Conhece-te a ti mesmo”, pretendendo com isto frisar que a compreensão do lugar do homem no mundo o ajuda a melhor comunicar.
O próximo Coffee Break ocorrerá no dia 2 de Novembro, com a investigadora Rosário Lupi.

 Mafalda Duarte Barrela

(aluna 1º ano do Mestrado em Estudos de Cultura)

Vilém Flusser, tema de publicações de investigadores do CECC

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Vilém Flusser (1920-1991) é um dos pensadores mais singulares da Filosofia da Comunicação. Autor nascido em Praga e naturalizado brasileiro, país onde viveu parte da vida, depois de grande parte da sua família judia ter sido morta nos campos de concentração nazis, só regressou à Europa nos anos 70 do século XX. Entre as suas obras mais famosas, destaca-se Língua e Realidade (São Paulo, 1963), Le Monde Codifié (Paris, 1972)  ou A Filosofia da Caixa Preta: Ensaios para uma futura filosofia da fotografia (São Paulo, 1983).

Na sequência da participação no projecto de investigação internacional “Crítica da Singularidade: Eventos Catastróficos e a Retórica da Representação”, que juntou o CECC, a Universidade Livre de Berlim e a Universidade de Quioto, Fernando Ilharco foi convidado para participar na edição de Flusseriana – An Intellectual Toolbox, um volume que reúne pensadores de várias nacionalidades em torno da obra deste autor marcante, e que se organiza como um dicionário, por entradas temáticas. Pode ler-se no site da Univocal Publishing, de Minneapolis:

Freestyle thinking – that is Vilém Flusser’s intellectual modus operandi: challenging and offensive, paradoxical and audacious. His thought knows no disciplines or subjects, nor does it pay tribute to other academic frameworks or rituals. Above all else his thought wants to intervene in ongoing cultural and artistic processes and influence them. In order to achieve this, no closed theoretical systems are necessary, only open, operative structures. The Flusseriana is a toolbox capable of being developed and expanded. It contains more than 200 “thinkthings” (Denkdinge) of all kinds: particularities like “Indian Summer,” “Atlas,” “Submissiveness,” “Animal,” or “Mediterranean Sea”; condensed Flusserian thought concerning the big eternal questions such as “History,” “Language,” “Myth,” and “Religion”; the central concepts of his media analysis, including “Apparatus,” “Abstraction,” “Cybernetics,” and “Telematics”; as well as Flusser’s own neologisms – “Communicology,” “Universe of Dots,” the old and the new “Imaginations.” More than 100 authors produced the entries under these lemmata. That is dialogic practice – entirely in the spirit of the philosophical writer from Prague.

As palavras do próprio Vilém Flusser estão destacadas na contracapa:

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Uma edição graficamente cuidada e trilingue (inglês, alemão e português) que honra o percurso internacional do autor homenageado e onde o Professor da Faculdade de Ciências Humanas e investigador do CECC assina o texto da entrada “The three catastrophes”.

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Vilém Flusser é também um autor influente no percurso do investigador junior do CECC, o doutorando Élmano Souza. No mestrado, no Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, participou numa cadeira dedicada ao autor, onde tomou contacto sobretudo com os textos não publicados, que integram o Arquivo Flusser em Berlim (Alemanha). Colaborou na organização do livro virtual Do conceito a imagem: a cultura da mídia pós-Vilém Flusser, onde tem dois artigos,  disponível neste repositório, um projecto  que resultou do I Simpósio Internacional de Estudos sobre Cultura Midiática.

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‘O Novo Normal’: Fernando Ilharco na Antena 1

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“Sucesso e bem estar: cores, temperatura, Botox e outras novidades” são os temas do podcast de 4 de Abril do programa ‘O Novo Normal’, do investigador Fernando Ilharco.

São histórias, novidades e descobertas científicas sobre determinação, mudança, talento, desempenhos extraordinários, motivação, criatividade, influência, liderança, trabalho em equipa, novos media e inovação. Num mundo que muda, analisa-se uma nova normalidade, sugerindo novas ideias e comportamentos para o dia-a-dia profissional e pessoal de cada um.

Um Podcast exclusivo Antena 1 online às 2ª feiras às 16h00.
Destaques no FM da Antena 1 de 2ª a 6ª feira às 17h50.