Luísa Santos escreve sobre Rui Toscano na revista Contemporânea

A docente do Lisbon Consortium e investigadora do CECC escreveu na Revista Contemporânea sobre a mais recente exposição de Rui Toscano na Galeria Cristina Guerra, ainda a decorrer.

O fascínio pela imensidão do cosmos e pela ambição humana de explorá-lo e entendê-lo é central ao corpo de trabalho que desenha Eu Sou o Cosmos. Etimologicamente, a  palavra cosmos deriva do termo grego κόσμος (kosmos), cujo sentido literal é o que está “bem ordenado” ou “ornamentado” e “mundo”. Este entendimento do cosmos mostra-se particularmente claro nas pinturas Dois Biliões de Estrelas (2018) e Um Bilião de Estrelas (2018). Dominadas, respectivamente, por um fundo branco e por um fundo preto, habitados por pontos e círculos de diferentes dimensões, brancos, azuis e cinzentos, parecem recusar a natureza em favor da abstração. Numa união da bidimensionalidade com a profundidade, estas pinturas transmitem habilmente a definição de sublime Kantiano: um objecto “cuja representação determina o ânimo a imaginar a inacessibilidade da natureza como apresentação de ideias.” [1] A experiência interna de olhar para estas pinturas envolve uma sensação inquietante perante algo sem forma e infinito que nos escapa. Por outras palavras, as pinturas colocam-nos diante da imensidão do universo e da percepção da nossa pequenez expondo a nossa faculdade da razão.

Luísa Santos

Excerto de “Rui Toscano. Eu Sou o Cosmos”, Ed. 04 / 2018. Pode ler-se o texto completo aqui

 

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