Coffee Break com Peter Hanenberg: o desafio europeu

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No passado dia 8 de Março, o director do CECC, Peter Hanenberg apresentou, no Coffee Break, uma síntese da sua participação no encontro da Federação de Universidades Católicas que teve lugar em Fevereiro, na cidade de Antuérpia, para debater módulos curriculares dos cursos de Humanidades direccionados para pensar as questões europeias da contemporaneidade.

“Literature, Translation and European Identities”, a síntese apresentada, resulta de investigação de Peter Hanenberg nos últimos anos.

De que forma se podem olhar textos clássicos e analisá-los à luz das problemáticas europeias actuais? Por exemplo, referiu, Os Lusíadas, de Luís de Camões, A Utopia, de Thomas Morus (século XVI) ou Nathan der Weise, de Gotthold Ephraim Lessing (século XVIII) – e explorou algumas potencialidades das obras: de que forma nos ajudam a pensar em migrações, encontros de cultura, formas de narrar a nação, local versus global? Conceitos como ‘a construção narrativa da realidade’, de Jerome Bruner, ‘as comunidades imaginadas’, de Benedict Andersen e ‘identidade narrativa’, de Paul Ricoeur, poderão ser operativos nesta reflexão articulada entre História e Identidade.

A literatura do século XX e XXI desafia também a relação entre identidades e narrativas. Foram referidos, de Günter Grass, Die Blechtrommel, de Shumma Sinha, Assommons les Pauvres!, e de Geert Mak, “In Europe”.

No centro desta ligação, está a linguagem e a tradução, entendidas no sentido mais amplo, enquanto formas de negociação de sentidos e interesses, com impactos políticos, na cultura e na dimensão material das sociedades, com dinâmicas globais, a nível digital e cultural. Para este debate, são fundamentais os contributos teóricos de Jacques Derrida e Bruno Latour, que problematizam a importância dos actos de tradução e a divisão, artificial, entre natureza e cultura, respectivamente.

O debate foi intenso e participado entre os presentes, mobilizando temas e acontecimentos recentes, como o alargamento da União Europeia, o terrorismo, a liberdade política e religiosa, os sistemas educativos e o papel da arte. A questão continua aberta: de que forma se constroem identidade(s) europeia(s) através de narrativas (europeias e não europeias) refletindo sobre os efeitos decisivos dos processos de tradução.

 

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