Traduzir Jane Austen: o debate

No âmbito do bicentenário da morte de Jane Austen (1775-1817), teve lugar, a 16 de Março, na Sala Exposições da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa, uma mesa-redonda dedicada à tradução da obra da romancista inglesa para português.

Esta sessão, aberta ao público e bastante participada, contou com a presença dos tradutores Paulo Faria, Ana Saragoça, Jorge Vaz de Carvalho e Isabel Veríssimo. A mesa-redonda, moderada pela investigadora Rita Bueno Maia (Universidade Católica Portuguesa-CECC) foi inserida no ciclo TRT. Tradutores Refletem sobre Tradução. 

Durante a conversa, abordaram-se diversos temas, nomeadamente a influência do estatuto canónico da autora e a sua popularidade no espírito dos tradutores, que falaram das diferentes condições de trabalho, conforme se ocupem de tradução literária ou audiovisual, com as respectivas especificidades. Nessa medida, debateu-se também a questão da relação entre a actividade de tradução e outras artes, nomeadamente o teatro e a música.

Ainda, os intervenientes relataram a forma como surgiu esta autora na sua vida profissional, e que opções fizeram, em termos de escolha, ou não, das obras, que edições originais consultaram e que tipo de ‘ferramentas’ académicas estavam ao seu dispor, bem como a sua relação com traduções portuguesas anteriores, referindo, de forma transversal, a profissionalização tardia da tradução no nosso país, uma vez que esta actividade era muitas vezes assumida por escritores até meados dos anos 80, sobretudo no plano editorial.

Outro tema em cima da mesa: as dificuldades com que se debatem os tradutores de Jane Austen, a nível do arcaísmo da língua e as marcas de hierarquia social presentes no discurso das personagens. Os convidados debateram escolhas, a nível de ortografia e semântica, na busca de formas de fidelidade ao ‘tom’ original.

As trasformações do mercado editorial foram também assunto: a tendência crescente da aposta nas edições digitais, com novas funcionalidades, nomeadamente a exposição estilo work in progress do processo de tradução, uma questão levantada por um elemento da assistência. Embora nenhum dos tradutores presentes tenha ainda essa experiência, discutiram de forma viva estes desafios futuros.

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