Exposição de João Onofre, com curadoria de Ana Cachola, olhada por Luísa Santos

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Imagem:©Marco Pires

João Onofre, Som, 14’12”, com curadoria da investigadora do CECC Ana Cristina Cachola,  esteve na Galeria Appleton Square entre 17 Novembro 2016 a 15 Dezembro 2016. A investigadora Luísa Santos escreveu sobre a exposição na Revista Contemporânea. Deixamos aqui um breve excerto:

A exposição Som, 14’12” surge no seguimento de uma busca continuada de João Onofre por uma estrutura primária, enunciada no minimalismo. As estruturas primárias descartam os traços estéticos – como a forma, a cor, a composição e a emoção – do objecto artístico reduzindo-os, na impossibilidade de chegar a um grau zero, ao mínimo.

Um salto temporal às primeiras estruturas primárias levar-nos-á às estruturas geométricas abertas de LeWitt, em meados dos anos sessenta. Ao mesmo tempo, formularia uma postura de série à produção artística na qual a progressão ou desenvolvimento da estrutura seria pré-definida por uma ideia inicial determinante. O cubo foi a sua estrutura primária e o denominador comum para os trabalhos que seguiriam o principio da progressão elementar através da adição ou da subtração.

É precisamente neste processo progressivo que Sem título, de João Onofre, se assume. Quando entramos no espaço da Galeria Appleton Square, ouvimos um conjunto de sons sobrepostos em sucessão e, rapidamente, percebemos que estes sons não vêm do espaço expositivo do piso térreo mas sim do piso inferior. Somos imediatamente compelidos a descer as escadas, no que poderia ser uma metáfora para o apelo a um movimento interno.

O carácter proto-conceptual do trabalho de João Onofre surge de um entendimento do dilema essencial que tem perseguido a produção artística desde a década de 1910, quando os seus paradigmas básicos foram formulados pela primeira vez – um dilema que poderia ser descrito como o conflito entre uma estrutura especifica e uma organização aleatória.

O conjunto de sons sobrepostos de Sem título, numa composição propositadamente dissonante e, numa leitura menos atenta, aleatória, emerge de um processo de subtrações resultantes de uma selecção e de uma adição linear e cronológica de cinco álbuns autorais do compositor e guitarrista português Carlos Paredes (Guitarra Portuguesa, 1967; Movimento Perpétuo, 1971; Espelho de Sons, 1987; Asas sobre o Mundo, 1989; Canção para titi – Inéditos de 1993, 2000), gravados em estúdio. Na composição, o elemento que surge evidenciado é a respiração de Carlos Paredes, que é o que, regra geral, nos chega silenciado numa negação, consciente ou subconsciente, à condição humana.

O artigo de Luísa Santos, na íntegra, pode ser lido aqui

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