“Work Gone Missing in Communication Theory: Veils of Fast Capitalism”: a conferência de Ed Mkluskie

 

 

A Universidade Católica Portuguesa recebeu, no passado dia 20 de outubro, o Professor Ed McLuskie, membro do Departamento de Comunicação da Boise State University, numa palestra intitulada “Work Gone Missing in Communication Theory: Veils of Fast Capitalism”, organizada pela linha de investigação do CECC “Media, Tecnologia, Contextos”.
Ed McLuskie é reconhecido internacionalmente enquanto filósofo da comunicação e teorista crítico, sendo frequentemente convidado para lecionar em universidades europeias. Foi por duas vezes nomeado Senior Fullbright Professor e fez parte do Fulbright Commission’s National Discipline Peer Review Committee. Tem uma extensa lista de publicações, incluíndo artigos no Journal of Communication e no Journal of Communication Inquiry. Tem desenvolvido projetos internacionais com os seus alunos e lecionado diversos seminários em universidades estrangeiras, onde aborda o tema da crítica em ciência da comunicação, bastante presente na sessão dada na UCP.
A palestra começa com uma afirmação intrigante. Ed McLuskie diz “a minha área de estudo chama-se ‘comunicação’, mas pode ser outra coisa diferente.” Termos como “táticas”, “eficiência”, “persuasão” e “manipulação de audiências” são frequentemente associados a este ramo de estudo. No geral, as pessoas julgam saber o que é comunicação e tendem a mostrar-se relutantes à alteração das suas pré-conceções.
Após uma leitura de excertos sobre este tema, em que se aborda a cultura popular consumista que vivenciamos, o apego à estrutura social no contexto do estudo de comunicação e o conceito de “capitalismo do portátil” – laptop capitalism -, o orador diz-nos que quer falar sobre “a relação entre trabalho, vida e vida interativa, uma relação que coloca a comunicação por detrás de um véu de capitalismo.” Este véu afeta igualmente a investigação em ciências da comunicação, no qual Ed McLuskie se foca, apesar de, na sua opinião, o campo não ser considerado teórico. Isto prende-se com o facto de conceitos como “marketing” e “propaganda”, que são práticos por natureza, serem associados às ciências da comunicação. A comunicação torna-se, assim, uma ferramenta adaptada às necessidades do sistema capitalista e a teoria da comunicação surge como um sistema conceptual de apoio.
O conceito de fast capitalism, cunhado por Ben Agger, pretende então frisar a velocidade a que as mudanças acontecem num mundo profundamente tecnológico, no contexto do sistema económico capitalista, ao nível teórico e prático. Illouz, na sua obra Cold Intimacies, define este conceito como a tendência para “comprimir o tempo no sentido de aumentar a eficiência económica.” Assim, num modelo neoliberal de pensamento, o estudo da relação entre capitalismo e comunicação é dificultado. Estes conceitos estão enraizados numa sociedade que se mostra classista, levando a que a teoria de comunicação avance sem que se considere divergências entre classes sociais e movimentos da oposição.
O orador avança com estas considerações falando da diferença entre as palavras trabalho, work, e labor, labour. Apesar de na língua inglesa padecerem de alguma redundância, os dois termos implicam ênfases distintos nas suas conotações. Num contexto capitalista, o conceito labour apresenta uma relação dialética com o termo “interação”, que se relaciona com o desejo de ser reconhecido, de ser ouvido enquanto ser humano. No exercício de comunicação, assim, esperamos compreensão, reconhecimento e antecipamos que a mensagem que recebemos é verdadeira. Sendo aqui a “verdade” uma dimensão moral normativa, o contrário leva a complicações nas dinâmicas de poder.
Outra consideração colocada pelo orador prende-se com o relativismo absoluto nas teorias de comunicação. Neste caso, posições opostas poderão conviver e ser bem-sucedidas, o que McLuskie critica por dificultarem o pensamento dialético. Fala ainda de modelos de comunicação que se focam simplesmente no lucro, que podem ser lidos enquanto financeiros, e em que pessoas e instituições são meros agentes de mercado.
No que diz respeito a comunicação organizacional, critica o foco no adjetivo, uma vez que as teorias relacionadas com esta temática tendem a enfatizar aspetos relacionados com as organizações e não com a comunicação em si. Critica a “intolerância positivista” dos gestores, que estudam comunicação com o mero objetivo de serem eficientes nas suas comunicações, frisando que a ambiguidade que assim se extingue é um “convite à interação”, proporcionadora de discussão e formulação de teorias. Ainda no âmbito das instituições, exemplifica com o caso das universidades onde, muitas vezes, os organismos de topo são considerados gestores e o pensamento crítico é uma mera ferramenta a ser desenvolvida em cursos como Ciências da Comunicação. Assim, as Humanidades são instrumentalizadas como mera forma de desenvolver estas soft skills.
Numa apresentação cativante, provocadora e instigadora de reflexão sobre a contemporaneidade, Ed McLuskie suscitou discussão quanto a questões básicas relacionadas não só com a importância e a forma de teorizar comunicação, mas também com o conceito de comunicação em si.

Mafalda Duarte Barrela

(Aluna 1º ano Mestrado em Estudos de Cultura)

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