“Diálogos singulares”, com introdução de Isabel Capeloa Gil

17 Dialogos Singulares

O CECC publicou recentemente o número 17 da Revista Comunicação & Cultura, sob o tema ‘Diálogos Singulares’, volume que reúne algumas das mais marcantes entrevistas que foram sendo publicadas em dez anos de actividade desta publicação e que incluem nomes como Arjun Appadurai, Lawrence Grossberg, René Girard, Barbie Zelizer ou Michael Schudson.

No blogue, partilhamos a introdução da investigadora e coordenadora da linha “Arte, Cultura e Cidadania”.

Diálogos singulares

A entrevista é um género com um estatuto central na prática de investigação em ciências sociais e humanidades, mas é também um género jornalístico, e um modo de pensamento. Como instrumento auxiliar na investigação empírica em ciências sociais, produz informação qualitativa que aproxima o investigador a um universo complexo e sempre volúvel, como é aquele em que seres humanos, distintos na sua singularidade, se colocam sob o microscópio do ator-investigador. No jornalismo, por seu lado, estrutura, como género de escrita, ou prática de investigação, o processo de construção da história que narra o evento.
Na verdade, sabemos que na ecologia da investigação não há espaços neutros. A entrevista constitui justamente um desses momentos em que duas singularidades, dois pontos de vista empenhados se tocam, se encontram, se entreolham. Deste modo, a entrevista, como instrumento ou género de escrita, é também um momento de fulgurante encontro. Constitui o resultado da energia que se produz no hiato entre duas singularidades. Exigindo estrutura, mas afirmando-se, por definição como fundamentalmente desreguladora do discurso da normatividade, na ciência, na cultura ou na sociedade em geral, constituiu uma presença que integra no processo científico o reconhecimento de um impulso que é simultaneamente pedagógico – porque tem como telos explicar o modelo de funcionamento do campo – e subversivo – porque ao questionar-se um autor sobre o conhecimento que produz se enuncia um gesto de compreensão que comporta risco para entrevistador e entrevistado. Este é aliás o gesto fundador da indagação filosófica da filosofia, de Sócrates aos diálogos ficcionais de Søren Kierkegaard. E é esse também um risco que tem desde o primeiro número feito parte integral do modelo editorial da Revista, procurando interpelar de forma nodal, e em português, as tendências que atravessam o campo complexo dos estudos de cultura e comunicação.
Dez anos passados sobre a fundação da Revista de Comunicação e Cultura, um número duplo celebra a riqueza de pensamento que de forma diversa se tem revisto no mandato de refletir, em liberdade e com espírito crítico, sobre os grandes desafios da investigação em Cultura e Comunicação. Conduzidas por investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, constituem diálogos que versam sobre as grandes questões que agitam a agenda de investigação, desde mobilidade a marketing político, memória e tradição, género e identidade, jornalismo e cidadania, arte e gestão, entre muitas outras.
Coligem-se aqui diálogos singulares, contributos arriscados para a ecologia crítica dos saberes em Comunicação e Cultura.

Isabel Capeloa Gil

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