Alexandra Balona é co-autora de projecto vencedor do programa Criatório

A investigadora Alexandra Balona, a realizar um doutoramento em Estudos de Cultura do Lisbon Consortium, é co-autora, com Sofia Lemos, do projecto mais bem classificado, entre 300, do Criatório, o programa de apoios à criação cultural lançado no final de 2016 e com o qual a Câmara do Porto se comprometeu a atribuir 15 mil euros a 16 projectos.

 

Alexandra Balona e Sofia Lemos sobre o projecto:

ESTADOS GERAIS: Pensamento e Contemporaneidade apresenta-se como uma programação pública de crítica do contemporâneo que visa promover o debate e a inscrição reflexiva nacional e internacional, centrado num eixo estruturante — a desconstrução do sujeito moderno e contemporâneo, num mundo global mais-do-que-humano — expandido em três linhagens temáticas que darão lugar a três simpósios.

A iniciar o ciclo em Outubro de 2017, o primeiro simpósio intitulado #MATÉRIA: Multiplicidade e Abertura terá lugar em Serralves – Museu de Arte contemporânea, e articular-se-á com a programação da instituição em artes performativas. O segundo e terceiro momentos, respectivamente, #AGENCIAMENTOS: Pensar e agir no Antropoceno e #COMUM: Ser Singular Plural terão lugar no Rivoli Teatro Municipal do Porto, em Fevereiro e Maio de 2018, e articular-se-ão com programação conjunta em artes performativas. 

Cada simpósio pretende ser um evento amplo e transdisciplinar organizado no decurso de dois dias, e visa convidar diversas audiências através de duas modalidades de compromisso: painéis conferencistas, seguido de um debate moderado por um convidado local ou international, articulados com eventos de artes performativas.

O primeiro momento #MATÉRIA: Multiplicidade e Abertura visa instigar um sujeito que se constitui em permanente devir e multiplicidade, nos limites porosos que vão além da sua espécie de animal “humano” para outras liminalidades da animalidade não humana, hibridez, queerness, modos múltiplos de raça e de género, formado não só em contacto com o que o circunda, mas sendo dele parte integrante. 

No segundo momento, #AGENCIAMENTOS: Pensar e agir no Antropoceno, procura-se investigar o debate contemporâneo em torno daquilo a que chamamos “Natureza” e desconstruir o posicionamento antropocêntrico perante a realidade material, animada ou inanimada, que vai além do humano. Visa-se potenciar agenciamentos alternativos no sentido de promover ecologias horizontais, numa articulação ético-política.

Finalmente, #COMUM: Ser Singular Plural propõe um debate sobre o humano como aquele que se constitui num permanente processo relacional e plural com o Outro, sendo esta alteridade múltipla e tentacular. Assim, opera-se numa plataforma alicerçada na desmaterialização da dicotomia do indivíduo e do Outro, promovendo reflexões ontológicas relacionais e modais.
Alexandra Balona é ainda crítica de dança no jornal Público, onde escreve regularmente. No seu mais recente artigo “A ética do negativo” (17 Maio 2017) debruça-se sobre a obra de Jonathan Saldanha.

Conferência sobre Jane Austen em Dezembro: chamada de artigos até 23 de Julho

Jane Austen Superstar.

Readership, Translation & Criticism in the 21st century

11-12 December 2017
Universidade Católica Portuguesa (Lisbon)

2017 marks two centuries since the death of Jane Austen in July 18, 1817. Two hundred years after her premature death, the English writer has never been more famous: from movies to tote bags, from mugs to rewritings of various sorts (sequels, guides to dating, adaptations to modern-day circumstances, biographies and fictional biographies, and, of course, translations), her work has invaded and pervaded contemporary imagination.

As Virginia Woolf famously put it, ‘[h]ere was a woman about the year 1800 writing without hate, without bitterness, without fear, without protest, without preaching’ (Woolf, 2008: 88). This apparently unassuming woman penned six powerful novels that have changed the world. Seen by some as an unwitting precursor to the women’s rights movements, read by others as a conservative author, Austen never ceases to baffle the contemporary reader, writer and critic alike: is she a ‘secret radical’, as Helena Kelly suggests (2006), or is she apolitical and / or a middle-of-the-road author? Is she an author who writes about trifles or does she, as Woolf surmised in 1925, stimulate ‘us to supply what is not there’? Woolf further adds that ‘[w]hat she offers is, apparently, a trifle, yet is composed of something that expands in the reader’s mind and endows with the most enduring form of life scenes which are outwardly trivial.’

The conference would like to celebrate Jane Austen’s life and work by discussing (a) how her books form part of the contemporary experience of love, gender, family, social and pecuniary relations and (b) how her writing style, her silences as well as her favourite topics, and her language have shaped modern-day literature, both in the UK and abroad.

In a nutshell, the conference aims to discuss both the author’s rootedness in the late 18th and early 19thcenturies, her authorial longevity and acumen, and her to some extent intriguing pop star fame in the last 20 years, proving indeed that ‘[h]er legacy is not a piece of reportage from the society of a particular past, but a wise and compelling exploration of human nature’ (Shields, 2001: 170).

Papers on the following topics are welcome:

Authorship and (in)visibility

Austen and feminism

Jane goes to Hollywood

Austen and TV adaptations

Austen as a popular icon (fashion, books, visual icon, and other memorabilia)

Austen’s critical fortune

Austen and (the absence) of history

Austen and / in the great tradition

Masculinities & the economics of power

Jane and mothers

Austen and the social value of gossip

Flattery in Jane Austen

Jane in translation / Translating Austen

Places in Austen

Austen and politics

‘Janeitism’: from fandom to commodification

Invited keynote speakers [to be confirmed]:

Kathryn Sutherland (University of Oxford)

Helena Kelly (Mansfield College, Oxford)

Álvaro Pina (University of Lisbon)

 

Organising Committee:

Alexandra Lopes

Rita Bueno Maia

Maria Sequeira Mendes

 

Scientific Committee:

Adriana Martins (Universidade Católica Portuguesa)

Alexandra Lopes (Universidade Católica Portuguesa)

João Ferreira Duarte (University of Lisbon)

Jorge Vaz de Carvalho (Universidade Católica Portuguesa)

Maria Sequeira Mendes (Escola Superior de Teatro e Cinema)

Rita Bueno Maia (Universidade Católica Portuguesa)

Rogério Miguel Puga (New University of Lisbon)

Teresa Casal (University of Lisbon)

The conference languages are English and Portuguese. Speakers should prepare for a 20-minute presentation followed by questions. Please send a 250-word abstract, as well as a brief biographical note (100 words) to austensuperstar@gmail.com by July 23, 2017.

Proposals should list the paper title, name, institutional affiliation, and contact details. Notification of abstract acceptance or rejection will take place by September 4, 2017.

 

Projecto 4 Cs apoiado pela Comissão Europeia

4Cs: From Conflict to Conviviality through Creativity and Culture apoiado pela Comissão Europeia – Creative Europe – Culture Sub-programme.

Europe: a site of hospitality and conviviality é um dos motes do 4Cs: From Conflict to Conviviality through Creativity and Culture, um projeto de cooperação Europeu que acaba de ver aprovado o cofinanciamento da Comissão Europeia em cerca de 1,8 milhões de Euros através da Europa Criativa, Sub-Programa Cultura.

Coordenado pela Universidade Católica Portuguesa, o 4Cs combina investigação e práticas de produção artística e cultural para refletir e atuar sobre formas emergentes de conflito. O projeto pretende contribuir para a responsabilização das instituições artísticas e culturais no seu papel de agentes sociais com o poder de promover a união de culturas diversas através de atividades como exposições; residências artísticas; film screenings; laboratórios de mediação; workshops; conferências; publicações; uma plataforma online e uma Summer School.

Na sua avaliação ao 4Cs, a Comissão Europeia realçou a qualidade da parceria, com uma equipa que combina teoria e prática, e a sua intenção de promover a cidadania Europeia.

O 4Cs decorrerá entre Julho de 2017 e Julho de 2021 e conta com oito parceiros institucionais, de ensino, investigação e produção artística de países como Portugal, Suécia, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Lituânia, Dinamarca e França: a Faculdade de Ciências Humanas e The Lisbon Consortium da Universidade Católica Portuguesa; Tensta Konsthall; SAVVY Contemporary – Laboratory of Form-Ideas; Royal College of Art; Fundació Antoni Tápies; Vilnius Academy of Fine Arts; Museet for Samtidskunst; e ENSAD. Conta ainda com um conjunto de parceiros associados, como Culture+Conflict; MIMA; Klaipėda University; Fundação Calouste Gulbenkian; Rua das Gaivotas 6; Plataforma de Apoio aos Refugiados; PEROU e Refugees at home.

Notícia dos resultados aqui

O projecto será apresentado numa sessão dia 23 de Maio, às 18h30, na Sala Exposições

Rita Figueiras fala sobre novo livro em torno de media, política e redes sociais

A investigadora Rita Figueiras lançou, recentemente, dia 4 de Abril de 2017, o livro A Mediatização da Política na Era das Redes Sociais, apresentado por Mário Mesquita.  Foi sobre este livro que a autora conversou com o CECC.

 

Rita Figueiras é doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade Católica Portuguesa (UCP), onde é docente no Mestrado de Ciências da Comunicação e na licenciatura de Comunicação Social e Cultural. A investigadora publicou ainda este ano um artigo «Estudos em mediatização: causalidades, centralidades,interdisciplinaridades» na revista Matrizes, da Universidade de São Paulo.  Foi também  a responsável, em Feveriro, pelo 6º Webinário da SOPCOM, sobre o tema tema “Democracia, Internet e Movimentos sociais: ligações entrecortadas”, já disponível no youtube.

Coffee Break com Maria Sequeira Mendes: a lisonja na obra de Shakespeare

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O tema parece improvável mas, segundo a investigadora Maria Sequeira Mendes, é um dos mais abordados na obra de William Shakespeare, logo a seguir ao ciúme. É, aliás, um assunto que percorre a literatura, desde a Antiguidade Clássica, passando por Dickens e Jane Austen até à contemporaneidade.

Não é por acaso, então, que seja este o tema do livro que a investigadora está a preparar. Maria Sequeira Mendes, actualmente docente no curso de Teatro da ESTC, doutorou-se em Teoria da Literatura com uma tese sobre Shakespeare, e desenvolve investigação nessa área, Lei e Literatura e Estudos de Teatro.  Foi a convidada do último Coffee Break do CECC, no passado dia 4 de Maio.

No seu percurso de investigação, um enigma permanecia sem solução: Porque sucumbem as pessoas à lisonja? Parte da resposta está precisamente nas peças de teatro de Shakespeare, autor que trata a lisonja de forma ambígua, nem sempre negativa. Três características são comuns a todas as formas de lisonja: é prolongada no tempo, na medida em que origina uma acção que deve produzir, depois, um resultado; é relacional, porque envolve alguém que pratica a lisonja e alguém que a recebe e lhe é sensível; e requer uma audiência, factor que sublinha o seu efeito.

O lisonjeiro, ao contrário de um amigo (o outro “eu”, ideia que remonta à Antiguidade Clássica), não espelha o outro, nas suas qualidades e defeitos, mas apenas o faz nas dimensões agradáveis, mimetizando um ideal. O lisonjeado sente-se engrandecido porque é incitado a gostar de si em demasia e é tanto maior o impacto da lisonja quanto ela corresponde à forma como o lisonjeado se quer ver ou representar. Plutarco lembrava que para testar a verdadeira amizade, por oposição à lisonja, se deveria produzir várias opiniões diferentes sobre o mesmo assunto numa primeira fase do contacto entre dois conhecidos: se a reacção do outro for de adesão, então está-se perante um lisonjeiro e jamais perante um verdadeiro amigo, ou outro “eu”.

Nas intrigas cerzidas por Shakespeare, encontra-se muito material de reflexão sobre esta forma de agradar alguém com um fito específico e a diversidade de situações presentes nesta obra reflecte a complexidade do tema. No caso de Iago que lisonjeia Otelo, este fá-lo através da calúnia e da difamação, o que desperta os medos mais profundos do Mouro de Veneza, com claras intenções nefastas. Em Júlio Cesar, encontra-se um exemplo da lisonja pela vaidade: Cássio lisonjeia Brutus, que se sente apreciado, estimulando os aspectos com que este gostaria de ser identificado e com total desconhecimento da manipulação por parte do lisonjeado. Muito diferente é o caso de Henry V, que lisonjeia as suas tropas, à beira da batalha na qual estão em desvantagem numérica, através da motivação egótica de cada soldado, indiferente, no entanto, ao facto de que muitos perderão a vida. Uma acção duvidosa do ponto de vista moral com uma finalidade benéfica, na perspectiva da personagem. Em Péricles, a lisonja de Helicanus assume uma fisicalidade expressiva, através da vénia de joelhos, com propósitos diplomáticos positivos: alcançar a paz.

Estas são algumas pistas preciosas deixadas pelo dramaturgo inglês, e partilhadas por Maria Sequeira Mendes, para pensar um fenómeno relacional complexo e com muitas consequências, que também se pode reconhecer no espaço público contemporâneo, em áreas tão diversas como o futebol ou a política. O psicólogo do famoso jogador inglês Andy Murray explicou-lhe que a causa dos seus infortúnios profissionais residia na sua incapacidade de praticar a auto-lisonja e prescreveu-lhe formas de a estimular, o que foi decisivo na sua carreira. Já Trump, o presidente americano, é o exemplo oposto, em que a escala da vaidade permite que a lisonja faça sempre eco.

Os investigadores presentes no Coffee Break colocaram várias questões, por exemplo, sobre como se determina o valor moral da acção da lisonja, no emissor ou no receptor, se esta pode ser interpretada como um acto de discurso, de acordo com a noção do filósofo da linguagem John L. Austin. Foram discutidos vários exemplos na literatura de figuras lisonjeiras e lisonjeadas e o seu impacto nas narrativas. Peter Hanenberg, director do CECC, concluiu a sessão, lembrando que o tema trazido por Maria Sequeira Mendes  é exemplar da forma como a literatura é essencial, ajudando-nos a interpretar e compreender a complexidade da tessitura socio-cultural.

Liderança e Mourinho: novo artigo de Fernando Ilharco em revista indexada na Scopus

Já está disponível o mais recente artigo do investigador Fernando Ilharco, com o título “The relevance of media in football coaching: the case of José Mourinho’s leadership approach”, publicado na revista ‘Soccer & Society’, indexada na Scopus. Este número será publicado em papel ainda em 2017 mas está já disponível online em ‘Latest Articles’.

This article examines the leadership approach of the football coach José Mourinho, particularly of the relevance of the media for his top performance at Porto (2002–2004), Chelsea (2004–2007), Inter Milan (2008–2010) and Real Madrid (2010–2013). The perspective from which we analyse the work of Mourinho in that period, and his presence in the media, is based on what science calls the paradigm of complexity. This is a relational perspective which, in this case, means not only focusing upon the actions ‘central’ to the activity in question – the technique, tactics, physical preparation and so on – but, with particular relevance, detail and in an integrated fashion, also focusing on the media and the cultural context in which the activity takes place. Key to the transformational work of José Mourinho is his presence in the media, the managing of fame, the challenges and ambitions of the players, the fans and the general public. At stake is a personification of a global system of significance.

Coffee Break com Patrícia Anzini da Costa: traduções de Walt Whitman no Brasil

Patrícia Anzini da Costa, investigadora convidada do CECC, foi a mais recente oradora do Coffee Break ,  no passado dia 5 de Abril de 2017. É bacharel em Estudos de Línguas e Literaturas e Mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista, UNESP, Brasil. Foi aluna visitante de mestrado na Universidade de Winnipeg, Canadá, em 2011, onde concluiu a dissertação sobre poetas associados à Poesia Marginal Brasileira da década de 1970 em diálogo com o Tropicalismo (1960), movimento lítero-musical dos anos 1960. Como estudante de doutoramento no programa de Estudos de Literatura Comparada da Northwestern University, Chicago (U.S.), co-orientada por Jorge Fazenda Lourenço, ampliou a investigação inicial, ao tratar a recepção do poeta americano Walt Whitman (1819-1892) por alguns escritores e activistas culturais brasileiros.

Patrícia Anzini despertou para a riqueza da temática que viria a ser a sua tese de doutoramento quando, em 2011, participou na Walt Whitman Week, em Araraquara, no Brasil. Neste encontro, conheceu alguns tradutores do poeta americano que influenciou movimentos e autores um pouco por todo o mundo. E nessa altura perguntou-se: por que eram tão escassas as traduções de Whitman no Brasil?

Para responder a esta questão, lançou-se numa investigação em que fez o levantamento das traduções, apenas de poesia, já que os textos ensaísticos ou jornalísticos até hoje não foram vertidos para português naquele país.

Até meados dos anos 1940, apenas foram publicados no Brasil traduções de poemas em revistas literárias e publicações da área, de forma dispersa. O primeiro livro surgiu em 1944, com o título Saudação ao Mundo e Outros Poemas, tradução de Mário Ferreira Santos. Dois anos depois foi editado outro livro, pela pena do tradutor Oswaldino Marques, crítico literário de relevo na época. No ano de 1964, data que assinala o início da ditadura militar no Brasil e também o auge dos movimentos de resistência de esquerda, chega pela primeira vez ao mercado brasileiro o título Folhas de Relva, livro que conhece uma reformulação em 1983, ano dos movimentos que reclamam a abertura democrática, com o título Folhas das Folhas de Relva, na editora Brasiliense. Esta tinha um catálogo de autores considerados de margem, como os beat Ginsberg ou Kerouac, ou novos talentos, igualmente contestatários, como Paulo Leminski que, aliás, assina um prefácio a esta tradução de Whitman, onde o consagra como o poeta dos excluídos, do corpo e da homossexualidade. Até 2002, esta tradução tem 8 edições, e apresenta algumas especificidades: não respeita a partição dos versos originais, muda aspectos sintáticos de forma significativa e não publica o livro na íntegra.

Originalmente publicado em 1855, Leaves of Grass, o longo poema que Whitman rescreveu a vida toda, só tem tradução integral em 2005 no Brasil, por uma editora conhecida por traduções inexactas, que enfrentou protestos de autores e até a barra do tribunal. No mesmo ano, saiu também uma edição fac-simile da primeira publicação de Leaves of Grass, na versão de 1855, traduzida por Rodrigo Garcia Lopes, de assinalável qualidade. Em 2010, um académico dedicado ao estudo do autor americano, Bruno Gambaratto, traduziu a última versão de Whitman, aquela que este deixou instruções para ser usada após a sua morte.

Muitos aspectos foram debatidos entre a investigadora e os presentes no Coffee Break do CECC: a relação entre as datas das traduções e os momentos políticos brasileiros, as diversas traduções possíveis, em Portugal e no Brasil, do termo “grass” (em Portugal, Folhas de Erva) ou a influência de Whitman no modernismo brasileiro.

David Altheide em entrevista ao Diário de Notícias

Gustavo Bom Global images

Imagem: Gustavo Bom/ Global Imagens

Donald Trump é um político único na história recente americana. Provavelmente, no passado, o político que, como populista, apelou às emoções mais negativas das pessoas terá sido George Wallace, quando fazia campanha para a presidência, há meio século. Mas Trump é único, certamente único, por ter sido eleito presidente dos Estados Unidos. Nunca houve ninguém como ele, algumas pessoas diriam, em cem anos.

Palavras de David Altheide, em entrevista ao Diário de Notícias (DN). Professor jubilado da Universidade Estadual do Arizona, autor dos livros como Creating Fear: News and the Construction of Crisis e Terrorism and the Politics of Fear, dedicou a sua carreira de investigação à relação entre a política e os media. Na Universidade Católica, apresentou, no passado dia 29 de Março, a palestra “The media syndrome and contemporary crisis”.

Na entrevista ao DN, falou da figura de Trump, do actual contexto americano, do papel contemporâneo das redes sociais e das características do cenário mediático daquele país.

Leia a entrevista completa aqui

Mestrados da FCH em destaque nos rankings Eduniversal

Best Masters Ranking 2016_2017

Foram agora conhecidos os rankings da Eduniversal, a agência internacional que avalia anualmente milhares de programas em 30 áreas do saber, com base na reputação dos cursos, no nível de empregabilidade e no grau de satisfação dos alunos.

O Mestrado em Estudos de Cultura, inserido no programa The Lisbon Consortium, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, foi reconhecido pelo terceiro ano consecutivo como um dos três melhores mestrados do mundo, superando instituições como a London School of Economics e a HEC Paris.

O Mestrado em Ciências da Comunicação está, agora, entre os 25 melhores da Europa, sendo o primeiro classificado entre os mestrados de universidades portuguesas, na respetiva categoria, subindo cinco posições a nível mundial face ao ano anterior.

Para além da classificação nesta categoria, o Mestrado em Comunicação, Marketing e Publicidade da FCH tem também uma estreia na categoria de “Marketing” deste prestigiado ranking, entrando diretamente para o número 21 dos melhores da Europa.

Coffee Break com Peter Hanenberg: o desafio europeu

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No passado dia 8 de Março, o director do CECC, Peter Hanenberg apresentou, no Coffee Break, uma síntese da sua participação no encontro da Federação de Universidades Católicas que teve lugar em Fevereiro, na cidade de Antuérpia, para debater módulos curriculares dos cursos de Humanidades direccionados para pensar as questões europeias da contemporaneidade.

“Literature, Translation and European Identities”, a síntese apresentada, resulta de investigação de Peter Hanenberg nos últimos anos.

De que forma se podem olhar textos clássicos e analisá-los à luz das problemáticas europeias actuais? Por exemplo, referiu, Os Lusíadas, de Luís de Camões, A Utopia, de Thomas Morus (século XVI) ou Nathan der Weise, de Gotthold Ephraim Lessing (século XVIII) – e explorou algumas potencialidades das obras: de que forma nos ajudam a pensar em migrações, encontros de cultura, formas de narrar a nação, local versus global? Conceitos como ‘a construção narrativa da realidade’, de Jerome Bruner, ‘as comunidades imaginadas’, de Benedict Andersen e ‘identidade narrativa’, de Paul Ricoeur, poderão ser operativos nesta reflexão articulada entre História e Identidade.

A literatura do século XX e XXI desafia também a relação entre identidades e narrativas. Foram referidos, de Günter Grass, Die Blechtrommel, de Shumma Sinha, Assommons les Pauvres!, e de Geert Mak, “In Europe”.

No centro desta ligação, está a linguagem e a tradução, entendidas no sentido mais amplo, enquanto formas de negociação de sentidos e interesses, com impactos políticos, na cultura e na dimensão material das sociedades, com dinâmicas globais, a nível digital e cultural. Para este debate, são fundamentais os contributos teóricos de Jacques Derrida e Bruno Latour, que problematizam a importância dos actos de tradução e a divisão, artificial, entre natureza e cultura, respectivamente.

O debate foi intenso e participado entre os presentes, mobilizando temas e acontecimentos recentes, como o alargamento da União Europeia, o terrorismo, a liberdade política e religiosa, os sistemas educativos e o papel da arte. A questão continua aberta: de que forma se constroem identidade(s) europeia(s) através de narrativas (europeias e não europeias) refletindo sobre os efeitos decisivos dos processos de tradução.